Conheça Rachel de Queiroz, autora de ‘Caminho de pedras’ e ‘João Miguel’, leituras obrigatórias da Fuvest

rachel de queiroz

Se você está se preparando para a Fuvest, já deve saber que as leituras obrigatórias representam partes cruciais da prova, e para além dos textos, conhecer os autores desses livros poderá te ajudar a entender melhor cada produção. Pensando nisso, para enriquecer os seus estudos, preparamos uma biografia de Rachel de Queiroz, incluindo principais trabalhos e curiosidades. Ela escreveu as obras “Caminho de pedras” e “João Miguel”, que estão entre as leituras obrigatórias da Fuvest.

A escritora nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza, Ceará, em uma família com raízes profundas na história cultural brasileira. Parente de José de Alencar por parte de mãe e integrante dos Queiroz por parte de pai, sua trajetória foi marcada por pioneirismo, talento e forte engajamento social.

Ao final da leitura, confira também a lista completa dos livros selecionados pela USP, que serão cobrados nos vestibulares 2026 a 2029!

Infância e formação intelectual de Rachel de Queiroz

Desde pequena, Rachel de Queiroz esteve cercada por livros. Leu autores como Júlio Verne, Machado de Assis, Eça de Queiroz e o próprio José de Alencar. Em 1917, devido à seca de 1915, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, o que mais tarde inspiraria sua obra mais famosa, O Quinze. Aos 15 anos, formou-se professora pelo Colégio Imaculada Conceição, em Fortaleza.

Primeiros passos na escrita

Rachel despontou no cenário literário ao ironizar um concurso estudantil usando o pseudônimo “Rita de Queluz”, fato que rendeu sua contratação como redatora do jornal O Ceará. Começou também a escrever crônicas e poemas modernistas e, em 1930, lançou sua primeira peça de teatro, Minha Prima Nazaré, e o folhetim História de um Nome.

O sucesso de ‘O Quinze’ e a consagração nacional

Ainda em 1930, Rachel de Queiroz publicou O Quinze, romance que trouxe à tona a luta do povo nordestino contra a seca. A obra recebeu elogios da crítica e, no ano seguinte, foi laureada com o Prêmio Graça Aranha de Literatura. Com apenas 20 anos, Rachel já era uma referência na literatura brasileira.

Vida política e engajamento social

Na década de 1930, Rachel envolveu-se com o Partido Comunista Brasileiro e participou da organização do partido no Nordeste. Sua atuação política resultou em sua prisão durante a repressão de Getúlio Vargas. Mesmo detida, iniciou a escrita de Caminho de Pedras, publicado em 1937.

Rachel também representou o Brasil na ONU em 1966 e participou ativamente do Conselho Federal de Cultura entre 1967 e 1989.

Produção literária diversificada

Ao longo das décadas seguintes, Rachel de Queiroz publicou romances, peças teatrais e mais de duas mil crônicas. Sua literatura infantil também ganhou destaque com O Menino Mágico.

Como tradutora, verteu cerca de 40 obras de autores consagrados, incluindo Emily Brontë, Dostoiévski e Balzac. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, como inglês, francês, alemão e japonês.

Reconhecimento e legado de Rachel de Queiroz

A carreira de Rachel de Queiroz foi marcada por importantes premiações. Ela recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Brasília (1980), o Prêmio Camões (1993), o Prêmio Moinho Santista (1996) e títulos de Doutora Honoris Causa por diversas universidades brasileiras. Em 2000, foi eleita uma das “20 Personalidades Empreendedoras do Século XX”.

Em 1977, tornou-se a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira nº 5. Sua posse ocorreu em 4 de novembro de 1977. Décadas depois, em 2003, Rachel de Queiroz faleceu no mesmo dia, vítima de um ataque cardíaco, encerrando uma das trajetórias mais emblemáticas da literatura nacional.

Quais são as principais obras de Rachel de Queiroz?

Conheça os principais livros da escritora:

O Quinze (1930)

Primeiro romance de Rachel de Queiroz, O Quinze retrata os efeitos da grande seca de 1915 no sertão nordestino. A narrativa acompanha a jovem professora Conceição e o vaqueiro Vicente, mostrando os desafios, sofrimentos e escolhas diante da escassez e da migração forçada. A obra inaugura o romance social nordestino com grande força realista e é considerada um marco da literatura brasileira.

João Miguel (1932)

Neste romance, Rachel de Queiroz investiga a complexidade da natureza humana por meio da história de João Miguel, um homem humilde que comete um crime e é perseguido por seu passado. A obra discute justiça, desigualdade social e redenção, com uma abordagem mais psicológica, aprofundando a crítica social iniciada em O Quinze.

Caminho de Pedras (1937)

Escrito durante sua prisão, Caminho de Pedras apresenta a trajetória de uma mulher em busca de independência em meio a um contexto de conservadorismo social. O romance aborda questões femininas, moral religiosa e autonomia pessoal, sendo um dos primeiros livros brasileiros a tratar com profundidade o papel da mulher na sociedade.

Confira as leituras obrigatórias da Fuvest para os vestibulares de 2026 a 2029

Agora, saiba as leituras obrigatórias da Fuvest para as edições de 2026 a 2029, além dos autores de cada livro. Os títulos em negrito são referentes às obras inéditas em relação ao ano anterior do vestibular:

Leituras obrigatórias Fuvest 2026

Leituras obrigatórias Fuvest 2027

  • Opúsculo humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Leituras obrigatórias Fuvest 2028

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Leituras obrigatórias Fuvest 2029

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Dom Casmurro (1899) – Machado de Assis
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) – Luís Bernardo Honwana
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Incidente em Antares (1970) – Erico Verissimo
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira

Foto do post: Reprodução/Acervo IMS

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