O governo federal lançou o Tela Brasil, uma plataforma de streaming sem nenhum custo de assinatura, com obras do cinema e do audiovisual brasileiro. O catálogo já começa robusto, com mais de 440 títulos, e a tendência é crescer. Para estudantes que buscam ampliar o repertório cultural antes do Enem ou de vestibulares, vale explorar o que está disponível por lá! Neste conteúdo, saiba tudo sobre o Tela Brasil e como a plataforma pode te ajudar na redação do Enem.
O que é o Tela Brasil?
Lançado em 30 de maio de 2025, o Tela Brasil é uma plataforma pública de vídeo sob demanda criada pelo Ministério da Cultura (MinC) com suporte técnico da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O serviço é inteiramente gratuito e reúne produções nacionais que vão de clássicos do cinema brasileiro a documentários contemporâneos.
A iniciativa nasceu com um objetivo claro: ampliar o acesso da população à produção audiovisual do país, especialmente a obras independentes que raramente aparecem nas grandes plataformas comerciais. O acervo foi montado com a participação de instituições como a Cinemateca Brasileira, o CTAv, a Funarte e a Fundação Cultural Palmares, e o investimento total chegou a R$ 4,4 milhões.
No dia do lançamento, o presidente Lula também assinou o decreto que institui o Brasil Criativo, a Política Nacional de Economia Criativa, que formaliza a cultura como eixo estratégico de desenvolvimento econômico e social no Brasil.
O catálogo inclui títulos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “A Hora da Estrela”, “Xica da Silva”, “Carandiru”, “Olga”, “O Que É Isso, Companheiro?”, entre muitos outros. Novos filmes devem ser incorporados ao longo do tempo.
Como acessar?
O acesso à plataforma exige uma conta ativa no Gov.br. Quem ainda não tem o cadastro pode criá-lo gratuitamente pelo site do governo federal. Com o login feito, o conteúdo fica disponível tanto pelo navegador quanto pelo aplicativo oficial, que pode ser baixado na Google Play Store (Android) ou na App Store (iPhone).
O Tela Brasil roda em celulares, tablets e computadores, e também é compatível com smart TVs, Chromecast e Apple TV. Outra informação relevante para estudantes: a plataforma foi projetada para uso coletivo em espaços como escolas, bibliotecas e cineclubes, sem restrições de exibição nesses ambientes.
Como usar os filmes do Tela Brasil na redação
Na redação do Enem, a competência 2 mede a capacidade do candidato de articular saberes de diferentes campos do conhecimento para sustentar sua argumentação. Obras cinematográficas entram nessa lógica quando são usadas de forma contextualizada, com indicação do título, do diretor e de uma relação clara com o tema da redação. Citar filmes brasileiros, em especial produções menos conhecidas, pode diferenciar um texto da maioria.
Alguns títulos do catálogo do Tela Brasil se conectam diretamente a temas que aparecem com regularidade nas provas:
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
De Glauber Rocha, funciona bem em redações sobre fanatismo religioso, misticismo popular, pobreza no sertão nordestino e as contradições entre fé e violência. O filme retrata um camponês que busca salvação seguindo um beato e depois um cangaceiro, abrindo espaço para reflexões sobre desigualdade histórica e as formas como populações marginalizadas encontram sentido diante da opressão.
Xica da Silva (1976)
De Cacá Diegues, pode ser usado em textos sobre escravidão, relações de poder, raça e gênero no Brasil colonial. A história de uma escravizada que conquista liberdade e influência social por meio de um relacionamento com um contratador de diamantes levanta questões sobre os limites dessa liberdade e sobre como o racismo estrutural operava na sociedade brasileira.
O Que É Isso, Companheiro? (1997)
De Bruno Barreto, narra o sequestro do embaixador americano por militantes de esquerda durante a ditadura militar. É uma referência direta para redações sobre repressão política, resistência, censura e os dilemas éticos em contextos de conflito ideológico.
Doces Poderes (1996)
De Lúcia Murat, se passa nos bastidores de uma campanha eleitoral e oferece material para textos sobre mídia, manipulação política, democracia e os mecanismos de construção da opinião pública. Um título pouco óbvio que pode render boas argumentações em temas ligados à política e à comunicação.
Quase Dois Irmãos (2004)
De Lúcia Murat, acompanha a relação entre personagens de classes sociais distintas ao longo de décadas, conectando o período da ditadura militar à realidade das favelas nos anos 2000. Serve bem para temas como desigualdade social, racismo, encarceramento e os efeitos geracionais da violência do Estado.
Cinema, Aspirinas e Urubus (2005)
De Marcelo Gomes, segue um imigrante alemão e um nordestino que percorrem o interior do Brasil vendendo aspirinas. É uma entrada interessante para redações sobre identidade nacional, diversidade regional, migração e o Brasil profundo que raramente aparece nas narrativas dominantes.
O hábito que faz diferença na prática é simples: ao assistir qualquer obra, registre o título, o ano de lançamento e os principais temas abordados. Com esse banco de referências em mãos, fica muito mais fácil encontrar o argumento certo na hora certa, sem depender dos exemplos “coringa”, que quase todo estudante já conhece!
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