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News Terra Negra – Atualidades: 6ª edição

Publicado em · Terra Negra
News Terra Negra – Atualidades: 6ª edição

Radar Global

Brasil

Pisa 2025: por trás da "estabilidade", o Brasil segue no fundo do ranking

A OCDE divulgou os resultados do Pisa 2025, aplicado a estudantes de 15 anos em 91 países e economias. O discurso de "desempenho estável" esconde uma posição constrangedora: o Brasil ficou em 52º lugar em leitura, 57º em matemática e 67º em ciências. Na estreia da prova de resolução de problemas computacionais, o país foi apenas 69º — um retrato do atraso estrutural da educação básica diante das exigências do século XXI.

💡 Conexão com o Enem

  • Desigualdade educacional: os números desmontam o discurso de "avanço" e escancaram o fosso entre o Brasil e os países desenvolvidos.
  • Repertório crítico: questiona a efetividade das políticas públicas de educação e o investimento real no setor.

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IBGE lança mapas-múndi com o Brasil no centro do mundo

Mapa-múndi do IBGE com projeção Equal Earth, Brasil no centro e Hemisfério Sul no topo
Um dos novos mapas-múndi do IBGE, com o Brasil no centro da representação

Em celebração aos 90 anos da instituição e ao 7 de setembro, o IBGE disponibilizou gratuitamente uma série de mapas-múndi (2024-2026) que colocam o Brasil no centro da representação e o Hemisfério Sul no topo, usando a projeção Equal Earth. A ONU aprovou recentemente resolução reconhecendo essa projeção como alternativa legítima à tradicional Mercator.

💡 Conexão com o Enem

  • Cartografia crítica: questiona o eurocentrismo da projeção de Mercator, tema recorrente em Geografia (Enem, Fuvest, Unicamp).
  • Repertório de redação: toda representação do espaço é uma escolha política, não neutra — ótimo para temas sobre poder e representação.

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Mundo

Israel x Reino Unido: crise diplomática escala no Oriente Médio

Israel notificou o Reino Unido de que seu consulado em Jerusalém Oriental deve fechar em até 30 dias, retaliando sanções comerciais impostas por Londres, França e Canadá contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia. Diplomatas britânicos perderão status oficial no prazo, numa escalada que evidencia o isolamento crescente de Israel entre aliados tradicionais.

💡 Conexão com o Enem

  • Geopolítica do conflito israelo-palestino: sanções e retaliações diplomáticas como instrumentos de pressão internacional.
  • Atualidades: útil para discutir soberania, colonização de territórios e o papel da ONU/UE.

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Extrema-direita alemã vence eleição estadual pela 1ª vez desde 1945

Lideranças da AfD comemorando o resultado da eleição estadual na Saxônia-Anhalt
Lideranças da AfD comemoram o resultado na Saxônia-Anhalt

A AfD (Alternativa para a Alemanha) obteve cerca de 44% dos votos na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste alemão — mais que o dobro do resultado de 2021 — derrotando a CDU do chanceler Friedrich Merz (17,8%). É a primeira vitória regional da extrema-direita alemã desde o fim da Segunda Guerra.

💡 Conexão com o Enem

  • Ascensão da extrema-direita na Europa: imigração, crise econômica e desigualdade Leste-Oeste pós-reunificação (1990).
  • Repertório de redação: exemplo atual para discutir polarização política e crise da democracia liberal.

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Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia já derruba chuvas no Paraná

Área de floresta amazônica desmatada e queimada
Área desmatada na Amazônia: menos floresta, menos "rios voadores" de umidade

Estudo da UFPR encontrou correlação entre o desmatamento na Amazônia e a redução das chuvas na Bacia do Rio Iguaçu (PR): cerca de 40% da umidade que chega ao estado vem da floresta amazônica, transportada pelos chamados "rios voadores". A queda na precipitação ameaça a produção agrícola e a geração de energia hidrelétrica na região.

💡 Conexão com o Enem

  • Teleconexões climáticas: a Amazônia regula o clima de regiões distantes, tema central de Geografia Física.
  • Matriz energética: liga desmatamento à segurança hídrica e energética, ótimo repertório para redações sobre sustentabilidade.

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Como as mudanças climáticas favorecem a circulação de vírus no Brasil

O aquecimento global encurta o ciclo de vida do Aedes aegypti — acelerando a passagem de larvas a mosquito adulto — e amplia a transmissão de dengue, zika e chikungunya. A invasão de habitats naturais também aumenta o contato entre humanos e animais silvestres, favorecendo o surgimento de novas doenças zoonóticas.

💡 Conexão com o Enem

  • Biogeografia de vetores: liga mudanças climáticas à expansão de doenças infecciosas, tema interdisciplinar entre Biologia e Geografia.
  • Saúde pública: repertório para discutir os desafios do SUS diante da crise climática.

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Epicentro

Guerra do Iêmen: o conflito que voltou com tudo

Mapa das áreas de controle, influência e presença dos houthis no Iêmen
Áreas de controle e influência dos houthis no Iêmen (BBC)

Motivadores do conflito: a guerra civil no Iêmen começou em 2014, quando os houthis — movimento zaidita apoiado pelo Irã — tomaram Sanaa, cobrando o fim do aumento nos preços dos combustíveis e a queda do governo. Em 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio para restaurar o governo reconhecido pela ONU. Um cessar-fogo mediado pela ONU em 2022 durou até julho de 2026, quando um avião iraniano com comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária tentou pousar em Sanaa; o bombardeio saudita à pista de pouso levou os houthis a declarar o fim da trégua.

Atores envolvidos: de um lado, os houthis, apoiados pelo Irã em armas e treinamento; do outro, o governo iemenita reconhecido internacionalmente, sustentado pela coalizão da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Os Estados Unidos participam indiretamente, ao pressionar o Irã no Estreito de Ormuz — o que empurra Teerã a reforçar seus aliados regionais, como os houthis, numa disputa por procuração no Oriente Médio.

Interesses estratégicos: o centro da disputa é o Estreito de Bab-el-Mandeb, passagem vital do comércio marítimo entre o mar Vermelho e o oceano Índico. Com o Estreito de Ormuz sob pressão iraniana, essa rota alternativa ganhou ainda mais peso geoestratégico — tornando o litoral iemenita um ativo disputado tanto pelos houthis quanto pela coalizão saudita.

Consequências sociais, políticas e econômicas: mais de 500 pessoas morreram e cerca de 20 mil foram deslocadas apenas na última semana de combates. O recrutamento infantil voltou a crescer nas áreas controladas pelos houthis, e ataques a petroleiros sauditas no mar Vermelho ameaçam encarecer o frete e o petróleo no mercado global — agravando ainda mais a crise humanitária em um dos países mais pobres do planeta.

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Legenda do mapa

A geopolítica dos estreitos

Estreitos são passagens marítimas estreitas que conectam dois grandes corpos de água, funcionando como verdadeiros gargalos (chokepoints) do comércio e da geopolítica mundial. Quem controla um estreito pode taxar, restringir ou até bloquear a passagem de navios, exercendo pressão econômica e militar sobre outros países — a chamada "diplomacia dos gargalos". Entre os exemplos mais estratégicos estão o Estreito de Ormuz (por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, entre o Irã e a Península Arábica), o Estreito de Malaca (rota vital entre os oceanos Índico e Pacífico, essencial para o comércio chinês), o Bab-el-Mandeb (ligando o mar Vermelho ao golfo de Áden, hoje ameaçado pela guerra no Iêmen) e o Bósforo (controlado pela Turquia, único acesso do mar Negro ao Mediterrâneo).

Jogo cartográfico: antes de ver a resposta, tente reconhecer cada estreito só pela imagem de satélite.

Imagem de satélite do Estreito de Ormuz, entre o Irã e a Península Arábica
A) Estreito de Ormuz
Imagem de satélite do Estreito de Bab-el-Mandeb, entre o Iêmen e o Chifre da África
B) Estreito de Bab-el-Mandeb
Imagem de satélite do Estreito de Malaca, entre a Malásia e Sumatra
C) Estreito de Malaca
Imagem de satélite do Estreito de Bósforo, cortando a cidade de Istambul
D) Estreito de Bósforo
Mapa do Estreito de Bab al-Mandeb com o tráfego marítimo e a zona de controle houthi destacada
O Bab-el-Mandeb em detalhe: tráfego marítimo e a zona sob controle houthi (El Orden Mundial)
Ver gabarito do jogo

A) Estreito de Ormuz · B) Estreito de Bab-el-Mandeb · C) Estreito de Malaca · D) Estreito de Bósforo.

Testando o seu conhecimento

"Estreitos marítimos como Ormuz, Bab-el-Mandeb e Malaca concentram parcela expressiva do comércio mundial de petróleo e mercadorias. A tensão no Iêmen, que ameaça o tráfego pelo Bab-el-Mandeb, e a pressão sobre o Irã no Estreito de Ormuz mostram como o controle desses corredores é disputado."

Com base no exposto, o valor estratégico dos estreitos marítimos na geopolítica global está relacionado, sobretudo, à possibilidade de:

a) diversificação das rotas aéreas de transporte de cargas, que tornou essas passagens irrelevantes para a economia mundial.

b) uso desses corredores como instrumentos de poder, já que seu controle ou bloqueio pode pressionar economicamente potências rivais.

c) neutralidade garantida por tratados internacionais, que impede qualquer tipo de conflito armado em seu entorno.

d) substituição do transporte marítimo por oleodutos terrestres, que já respondem pela maior parte do petróleo comercializado no mundo.

e) administração direta pela ONU, responsável por controlar a navegação em todos os estreitos internacionais.

Ver gabarito e resolução

Gabarito: B. O valor geopolítico dos estreitos está na possibilidade de controlar, taxar ou bloquear rotas essenciais ao comércio e ao abastecimento energético global — como mostram as tensões atuais em Ormuz e Bab-el-Mandeb —, transformando esses corredores em instrumentos de pressão econômica e militar entre potências.

Bizarrices Geográficas

Mapa do estado do Novo México com o nome riscado e substituído por 'New America'
A ideia de Trump para o Novo México, em forma de mapa

Não satisfeito em "rebatizar" o Golfo do México e o Lago Ontário, Trump quer transformar o Novo México em "Nova América" — como se a cartografia fosse personal branding. A governadora já respondeu: o nome é mais antigo que os EUA. No ritmo atual, só falta patentear o hemisfério inteiro.

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Dicas

📖 Livro: Prisioneiros da Geografia, de Tim Marshall (Ed. Zahar) — explica o mundo a partir de 10 mapas-chave, com um capítulo sobre o Oriente Médio e a lógica dos pontos de estrangulamento estratégico (chokepoints).

🎙️ Podcast G30 (Terra Negra): "A China, sim, apoia o Irã" — analisa o ataque de mísseis dos houthis do Iêmen contra o aeroporto Ben Gurion, quem são os houthis e o papel do Irã nos bastidores.

🎥 Vídeo Terra Negra: "Estreito de Lombok: o estreito que pode complicar os planos da China" — mostra como Lombok e Sunda são rotas alternativas ao Estreito de Malaca (o "Dilema de Malaca" chinês), mas têm capacidade limitada para substituí-lo, expondo a vulnerabilidade estratégica da China a esses gargalos marítimos. Assista aqui.