News Terra Negra – Atualidades: 4ª edição
Radar Global
Brasil
Lula e Trump no telefone: o tarifaço tem volta?
Sabe aquela novela das tarifas que os EUA jogaram no colo do Brasil? O jogo deu uma movimentada! Depois de mais de 30 conversas travadas, o presidente Lula ligou direto para Donald Trump e um papo de 1h20 finalmente destravou as coisas.
O que rola agora? Trump deu sinal verde e mandou seu representante comercial, Jamieson Greer, reabrir as negociações. Já na semana seguinte rolou uma reunião virtual crucial entre ele e o ministro brasileiro Marcio Elias Rosa.
Qual é o objetivo do Brasil? O foco imediato é tirar o máximo de produtos brasileiros da reta daquela tarifa extra de 25% (que pegou pesado em setores como calçados, máquinas e açúcar). Em um segundo momento, a meta é tentar reverter o "tarifaço" de vez. Apesar do avanço diplomático, o governo brasileiro prefere manter os pés no chão, já que reverter todas as taxas ainda é um desafio gigantesco.
Mundo
O duelo do maple contra o Tio Sam: quando a cultura entra na roda de negócio
As negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos azedaram de vez depois que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, mandou os negociadores voltarem para casa. O motivo: segundo ele, o governo de Donald Trump cruzou a linha vermelha ao fazer exigências que ameaçam diretamente a identidade e a língua francesa no Quebec.
Com o colapso nas conversas, Trump não perdeu tempo e aplicou um "tarifaço" de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos do país vizinho, alegando que os canadenses querem mordomias do Estado americano sem pagar o preço. Em resposta, Ottawa prometeu revidar com taxas a partir de setembro, com Carney classificando o ataque econômico nos moldes de uma verdadeira guerra comercial.
O milagre econômico de Kim: como a Coreia do Norte engordou os cofres
Parece mentira, mas a Coreia do Norte deu uma guinada daquelas! Impulsionado por vendas de armamentos para a Rússia e criptomoedas roubadas por hackers, o PIB do país cresceu 3,7% em 2025, registrando o melhor momento sob o comando de Kim Jong-un.
Mas calma lá: essa "transformação milagrosa" encheu os cofres do regime e deu uma repaginada em Pyongyang com carros elétricos e prédios iluminados, mas fora do círculo da elite política a realidade socioeconômica da população continua dura, marcada por uma grave crise humanitária. Com uma nova aliança estratégica com Vladimir Putin e a aproximação com a China, o ditador consolida sua liderança enquanto dribla sanções internacionais.
Xi e Modi: o grande encontro geopolítico na Índia
O presidente chinês Xi Jinping viajou à Índia pela primeira vez em sete anos, marcando presença na 18ª Cúpula do Brics em Nova Délhi. Depois de décadas de ciumeira territorial — incluindo a tensa fronteira da Linha de Controle Real e o confronto no Vale de Gallwan em 2020 —, os dois gigantes asiáticos parecem dispostos a fazer as pazes: a China quer abrir o mercado indiano e barrar a influência dos EUA na região, enquanto a Índia quer aproveitar a alta tecnologia chinesa em inteligência artificial.
A comitiva chinesa veio com cerca de 400 pessoas. Líderes como o russo Vladimir Putin e o iraniano Masoud Pezeshkian também confirmaram presença, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva ficou de fora por causa das eleições.
Meio Ambiente
A geologia em tempo real
O recuo das geleiras, o degelo do permafrost e as chuvas mais fortes, intensas e duradouras estão causando o colapso de encostas, tsunamis, a deformação e desmoronamento de montanhas e a subsidência do solo. Há também elevação do risco sísmico e vulcânico.
Por quê? O aquecimento global rompe o equilíbrio do planeta. À medida que geleiras e permafrost recuam, ocorre perda de sustentação física, alívio de pressão sobre falhas e percolação de água em fendas subterrâneas, gerando desequilíbrio térmico e hídrico — com impactos como degradação de infraestrutura (pontes, oleodutos), deslocamento de comunidades e custos multibilionários.
O colapso glacial na fronteira entre Nepal e Tibete
A enchente devastadora na fronteira entre Nepal e Tibete foi causada por um colapso glacial, e não por um terremoto, como se pensava inicialmente. O desastre começou quando uma grande massa de gelo e detritos se desprendeu de uma geleira e despencou no vale, gerando um evento sísmico equivalente a magnitude 5,2.
Esse colapso represou temporariamente o rio Lhende Khola. Ao romper a barreira, uma onda gigante de água, gelo e lama avançou rapidamente pelos vales estreitos da região, destruindo pontes e edifícios — o saldo parcial indica centenas de mortos e centenas de desaparecidos. Cientistas alertam para o risco de novas ondas de inundações devido a bloqueios residuais nos rios: o aquecimento global e o derretimento do permafrost podem estar tornando o Himalaia mais instável.
Quer aprofundar? · vídeo do TN destrinchando o assunto
Epicentro
Minerais críticos e o risco de neocolonialismo no Brasil
Tema central da geopolítica contemporânea: a corrida global por minerais críticos, como lítio, nióbio e grafita — essenciais para a transição energética, alimentando carros elétricos, painéis solares e turbinas eólicas. No entanto, o modelo atual de exploração no Brasil expõe um preocupante risco de neocolonialismo.
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e quase a totalidade do nióbio global. Contudo, o padrão histórico se repete: exportamos matéria-prima bruta de baixo valor agregado e importamos produtos tecnológicos acabados a preços altíssimos. Dois casos ilustram essa tensão:
- Minaçu (Goiás): a principal extração de terras raras fora da Ásia foi adquirida por capital estrangeiro e integrada diretamente à estratégia de segurança mineral dos Estados Unidos, gerando royalties locais irrisórios diante do valor de mercado.
- Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais): na extração de lítio, a retórica da sustentabilidade ("lítio verde") contrasta com graves conflitos locais por água em uma região semiárida, além de denúncias de impactos ambientais e falta de consulta prévia às comunidades.
Em suma, a transição verde do Norte global não pode se sustentar sobre a reprodução do pacto colonial no Sul. O desafio do Brasil é construir uma política soberana que garanta a industrialização nacional, a repartição justa de benefícios e o respeito aos territórios.
Legenda do mapa
Economia extrativista
A economia extrativista é um modelo produtivo fundamentado na exploração e na exportação em larga escala de recursos naturais, em seu estado bruto ou com baixíssimo processamento tecnológico. Nesse sistema, a cadeia de valor é desequilibrada: a etapa mais rentável — refino, industrialização e tecnologia de ponta — ocorre nos países compradores, enquanto o país fornecedor assume a devastação ambiental, o esgotamento dos recursos e os impactos sociais sobre os territórios explorados.
Tipos de extrativismo:
- Mineral: retirada de minérios e recursos fósseis localizados no subsolo ou na superfície terrestre.
- Vegetal: coleta de produtos de origem vegetal que crescem espontaneamente na natureza, sem cultivo agrícola prévio.
- Animal: captura de espécies animais diretamente da fauna silvestre no seu habitat natural.
O extrativismo pode variar entre a subsistência local/comunitária (de baixo impacto e focada no sustento) e a exploração predatória de exportação (focada em commodities e grandes volumes, frequentemente gerando passivos socioambientais no local de extração).
Testando o seu conhecimento
"A América Latina e muitos países africanos, sufocados [...] entregaram-se a este modelo de produção agressivo e totalmente destoado de sua realidade, ao passo que abriam fronteiras a uma 'tecnologia estranha'. Era o crescer ou crescer, a qualquer custo, com ou sem degradação ambiental. Enquanto os países do norte 'surfam' num mar de conforto e consumismo, os países do sul amargam seus rejeitos e convivem, ainda, com miséria e poluição." (Adaptado de: PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter; LEFF, Enrique. Agricultura, meio ambiente e sustentabilidade: um diálogo. Campo-Território: revista de geografia agrária, v. 8, n. 15, 2013.)
Considerando as informações do texto e a reflexão crítica sobre a dinâmica espacial do extrativismo na divisão internacional do trabalho, assinale a alternativa correta:
a) A inserção subordinada dos países do Sul global no mercado internacional assegura a transferência de tecnologia de ponta e o desenvolvimento industrial autônomo das regiões mineradoras.
b) A economia extrativista orientada para a exportação promove a superação das desigualdades regionais, uma vez que os royalties minerais garantem infraestrutura de excelência para as comunidades locais.
c) O modelo de exploração de recursos naturais em larga escala evidencia uma assimetria geopolítica na qual os benefícios do consumo concentram-se no Norte, enquanto os custos ecológicos e sociais recaem sobre os territórios periféricos.
d) A expansão das fronteiras de extração mineral em biomas periféricos expressa uma neutralidade técnica desprovida de conflitos territoriais ou de resistências por parte das populações tradicionais.
e) A dependência de commodities minerais blinda as economias latino-americanas contra as flutuações e crises econômicas oriundas dos mercados financeiros internacionais.
Ver gabarito
Gabarito: C. O modelo de exploração de recursos naturais em larga escala evidencia uma assimetria geopolítica na qual os benefícios do consumo concentram-se no Norte, enquanto os custos ecológicos e sociais recaem sobre os territórios periféricos.
Bizarrices Geográficas
A Nasa teve que perder tempo precioso explicando o óbvio: a Terra não vai perder a gravidade por sete segundos. A teoria da conspiração criativa previa caos e milhões voando pela sala, mas tudo não passava de uma piada de péssima qualidade. Como constatado, no dia 12 de agosto vimos um eclipse solar e muita vergonha alheia da internet.
Dicas
Receita da Ray: crepioca
Ingredientes: 3 ovos, 2 colheres de sopa de tapioca, 1 pitada de sal, 1 pitada de páprica defumada (dica de ouro), 1 pitada de orégano, 2 fatias de queijo prato.
Modo de fazer: bata bem os três ovos numa tigela. Adicione as 2 colheres de tapioca e bata bastante até obter uma massa homogênea. Adicione o sal e a páprica. Numa frigideira antiaderente, previamente aquecida, adicione um fio de azeite e doure dos dois lados. Finalize com duas fatias de queijo, salpique o orégano e dobre.