Conheça Machado de Assis, autor de ‘Dom Casmurro’, leitura obrigatória da Fuvest

machado de assis

Se você está se preparando para a Fuvest, já deve saber que as leituras obrigatórias representam partes cruciais da prova, e para além dos textos, conhecer os autores desses livros poderá te ajudar a entender melhor cada produção. Pensando nisso, para enriquecer os seus estudos, preparamos uma biografia de Machado de Assis, incluindo principais trabalhos e curiosidades. Ele escreveu a obra “Dom Casmurro”, que está entre as leituras obrigatórias da Fuvest.

A presença de Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras, seu domínio da forma e a ironia sutil de sua escrita garantem-lhe um lugar entre os maiores escritores da literatura mundial.

Ao final da leitura, confira também a lista completa dos livros selecionados pela USP, que serão cobrados nos vestibulares 2026 a 2029!

Origens e infância de Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na Chácara do Livramento, Rio de Janeiro. Filho de Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de negros alforriados, e Maria Leopoldina Machado da Câmara, portuguesa de origem açoriana, Machado cresceu em condições modestas. Ambos os pais sabiam ler e escrever – uma raridade na época – e viviam como agregados na casa de Dona Maria José de Mendonça Barroso Pereira, viúva do senador Bento Barroso Pereira.

Criado no Morro do Livramento, perdeu a única irmã ainda na infância. Frequentou a escola pública de São Cristóvão e teve como mentor o padre Silveira Sarmento, que lhe ensinou latim. Após a morte da mãe, mudou-se com o pai para a Rua São Luís de Gonzaga. Sua madrasta, Maria Inês da Silva, o levava para aulas na escola onde trabalhava, e ele complementava seus estudos noturnos aprendendo francês com o forneiro de uma padaria local.

Atuação de Machado de Assis na literatura

Autodidata, Machado de Assis começou cedo sua carreira literária. Com 15 anos, publicou seu primeiro soneto no Periódico dos Pobres. Em 1855, teve o poema “Ela” publicado na Marmota Fluminense. Um ano depois, ingressou na Imprensa Nacional como tipógrafo aprendiz, onde conheceu Manuel Antônio de Almeida. Este o apresentou a jornalistas como Francisco Otaviano e Quintino Bocaiúva, que impulsionaram sua entrada definitiva no meio jornalístico.

Aos 20 anos, Machado de Assis já estava inserido nos principais círculos intelectuais do Rio de Janeiro. Seu primeiro livro foi uma tradução: Queda que as mulheres têm para os tolos (1861). Em 1864, lançou seu primeiro livro de poesias, Crisálidas.

Vida profissional e casamento

Machado foi nomeado censor teatral em 1862 e ajudante do diretor do Diário Oficial em 1867. Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem viveu por 35 anos. Sua carreira literária e jornalística se desenvolveu paralelamente ao trabalho como funcionário público, que garantia estabilidade financeira.

O primeiro romance, Ressurreição, saiu em 1872. Em seguida, publicou outros títulos como A Mão e a Luva (1874) e Helena (1876). Em 1881, publicou Memórias Póstumas de Brás Cubas, marco de sua transição para o realismo literário.

Machado de Assis e a Academia Brasileira de Letras

Entre 1881 e 1897, publicou crônicas importantes na Gazeta de Notícias e fundou, junto a outros intelectuais, a Academia Brasileira de Letras. Em 28 de janeiro de 1897, foi eleito seu primeiro presidente, cargo que exerceu até sua morte.

Últimos anos e morte

Em 1904, Machado perdeu Carolina, o grande amor de sua vida. Isolou-se e passou a sair pouco. Em sua homenagem, escreveu o poema “À Carolina”. Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908. Seu velório reuniu figuras notáveis do país, como Rui Barbosa, e seu corpo foi levado ao cemitério São João Batista em um cortejo solene.

Fase Romântica

Na fase romântica, suas obras têm estrutura linear e personagens movidos por sentimentos como amor e ambição. Destaque para:

  • Ressurreição (1872)
  • A Mão e a Luva (1874)
  • Helena (1876)
  • Iaiá Garcia (1878)

Helena, por exemplo, explora questões de classe e um romance impossível entre irmãos, num final surpreendente.

Fase Realista

Com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), inicia-se sua fase realista, marcada pela ironia, crítica social e profundidade psicológica. Outros romances dessa fase incluem:

  • Quincas Borba (1891)
  • Dom Casmurro (1899)
  • Esaú e Jacó (1904)
  • Memorial de Aires (1908)

Produção poética

Machado de Assis também navegou por diferentes correntes da poesia. Iniciou-se no Romantismo com Crisálidas (1864) e Falenas (1870), passou pelo Indianismo com Americanas (1875) e mais tarde aderiu ao Parnasianismo em Ocidentais (1901).

Quais os principais romances de Machado de Assis?

Conheça mais sobre os principais romances do escritor:

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881): narrado por um defunto, rompe com as convenções narrativas e inaugura o Realismo no Brasil.
  • Quincas Borba (1891): mostra o declínio de Rubião, herdeiro do filósofo Quincas Borba, sob influência de tipos urbanos e oportunistas da corte.
  • Dom Casmurro (1899): explora a dúvida da traição de Capitu e a manipulação da narrativa por Bentinho, gerando discussões até hoje.

Contos de Machado de Assis

Machado de Assis também foi mestre do conto, gênero em que ironia, crítica e psicologia são recorrentes. Algumas coletâneas notáveis:

  • Contos Fluminenses (1870)
  • Histórias da Meia-Noite (1873)
  • Papéis Avulsos (1882)
  • Histórias Sem Data (1884)
  • Várias Histórias (1896)
  • Páginas Recolhidas (1899)
  • Relíquias da Casa Velha (1906)

O Alienista: crítica à ciência e à razão

O conto O Alienista, adaptado para o cinema em 1970, é uma das obras mais populares de Machado de Assis. O médico Simão Bacamarte, ao estudar a loucura, acaba internando toda a cidade, numa crítica brilhante à lógica científica sem limites.

O legado imortal do escritor

Machado de Assis foi mais do que um grande autor: ele se destacou como um analista refinado da sociedade e da condição humana. Sua produção literária, que atravessa diferentes estilos e momentos históricos, permanece atual e indispensável para compreender tanto a literatura brasileira quanto os dilemas universais.

Com uma escrita marcada pela ironia, precisão e profundidade, Machado consolidou-se como uma das vozes mais importantes das letras nacionais e ocupa um lugar de destaque também na literatura mundial.

Confira as leituras obrigatórias da Fuvest para os vestibulares de 2026 a 2029

Agora, saiba as leituras obrigatórias da Fuvest para as edições de 2026 a 2029, além dos autores de cada livro. Os títulos em negrito são referentes às obras inéditas em relação ao ano anterior do vestibular:

Leituras obrigatórias Fuvest 2026

Leituras obrigatórias Fuvest 2027

  • Opúsculo humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Leituras obrigatórias Fuvest 2028

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Leituras obrigatórias Fuvest 2029

Foto do post: Reprodução

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