Se você está se preparando para a Fuvest, já deve saber que as leituras obrigatórias representam partes cruciais da prova, e para além dos textos, conhecer os autores desses livros poderá te ajudar a entender melhor cada produção. Pensando nisso, para enriquecer os seus estudos, preparamos uma biografia de Djaimilia Pereira de Almeida, incluindo principais trabalhos e curiosidades. Ela escreveu a obra “A visão das plantas”, que está entre as leituras obrigatórias da Fuvest.
Ana Djaimilia dos Santos Pereira de Almeida Brito é uma das vozes mais relevantes da literatura contemporânea em língua portuguesa. Nascida em 1982, em Luanda (Angola), mudou-se ainda criança para Portugal, onde cresceu, vive e construiu sua carreira literária e acadêmica.
Ao final da leitura, confira também a lista completa dos livros selecionados pela USP, que serão cobrados nos vestibulares 2026 a 2029!
Formação acadêmica e início da carreira como escritora
Djaimilia Pereira de Almeida graduou-se em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa. Sua dissertação de mestrado, Amadores (2006), foi premiada com o Prémio Primeiras Teses 2010 pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Em 2012, concluiu o doutorado em Teoria da Literatura pelo Programa em Teoria da Literatura da Universidade de Lisboa.
Estreia literária e reconhecimento crítico
A autora estreou na literatura em 2015 com Esse Cabelo, publicado pela Teorema Editorial. A obra, elogiada pela crítica em Portugal, mistura elementos biográficos, ensaísticos e ficcionais ao abordar a vivência de uma jovem negra de cabelo crespo em uma sociedade portuguesa predominantemente branca nos anos 1980.
Mesmo após deixar a vida acadêmica, Djaimilia Pereira de Almeida reconhece a conexão entre sua formação e sua escrita. Sua produção é marcada por reflexões sobre identidade, corpo, memória e herança pós-colonial.
Atuação internacional de Djaimilia Pereira de Almeida
A escritora colaborou com veículos renomados como The New York Times, Granta, la Repubblica, Folha de S.Paulo e Serrote. Em março de 2021, foi nomeada consultora para os Direitos Humanos, Igualdade de Oportunidades e Não-Discriminação da Casa Civil do Presidente da República de Portugal.
Na primavera de 2022, foi escritora residente na Literaturhaus Zürich e, desde setembro de 2023, é professora da New York University (NYU). No mesmo ano, foi indicada ao conselho diretivo da Fundação Centro Cultural de Belém, mas deixou o cargo em setembro.
Conquistas e prêmios da escritora
Djaimilia Pereira de Almeida recebeu diversos prêmios literários ao longo de sua carreira. Entre eles, destacam-se:
- “Toda a Ferida é uma Beleza” foi vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB 2024.
- Seus livros e ensaios foram traduzidos para dez línguas.
- Já foi finalista de algumas edições do Prêmio Oceanos e conquistou-o em 2019.
- Em 2023, recebeu o Prémio FLUL Alumni, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde concluiu o doutorado.
- Em 2025, foi agraciada com o Prémio Vergílio Ferreira, concedido pela Universidade de Évora, pelo conjunto da sua obra literária.
Principais obras de Djaimilia Pereira de Almeida
Conheça as principais obras da escritora:
Esse Cabelo (2015)
Obra de estreia de Djaimilia Pereira de Almeida, Esse Cabelo mistura ficção, memória e ensaio para narrar as experiências de Mila, uma jovem negra com cabelo crespo, nascida em Angola e criada em Portugal. O livro propõe uma reflexão sobre identidade, pertencimento, corpo e herança colonial.
A visão das plantas (2019)
Neste romance lírico e introspectivo, Djaimilia reconstrói a história de Cristóvão Ferreira, um ex-escravizado que retorna à sua terra natal nos Açores após uma vida dedicada à navegação e ao tráfico negreiro. Marcado pela culpa e pela distância afetiva, ele vive seus últimos dias em silêncio, observando o mundo ao seu redor com a quietude das plantas. A obra oferece uma poderosa reflexão sobre memória, arrependimento e a herança do colonialismo.
O que é ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo: Ensaios (2023)
Nesta coletânea de ensaios, a autora discute sua experiência como mulher negra no mundo literário, abordando temas como representatividade, subjetividade, canonização e os desafios de escrever a partir de uma perspectiva racializada em língua portuguesa.
Três Histórias de Esquecimento (2021)
A obra reúne três narrativas que abordam memórias pessoais e coletivas, traumas e apagamentos. Com escrita precisa e delicada, Djaimilia Pereira de Almeida explora os limites entre lembrança e esquecimento, vida íntima e história política.
Toda a Ferida é uma Beleza (2023)
Vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, o romance acompanha personagens que enfrentam lutos e cicatrizes em suas trajetórias. A autora propõe uma leitura sensível sobre como o sofrimento pode ser transmutado em beleza e criação.
Confira as leituras obrigatórias da Fuvest para os vestibulares de 2026 a 2029
Agora, saiba as leituras obrigatórias da Fuvest para as edições de 2026 a 2029, além dos autores de cada livro. Os títulos em negrito são referentes às obras inéditas em relação ao ano anterior do vestibular:
Leituras obrigatórias Fuvest 2026
- Opúsculo humanitário (1853) – Nísia Floresta
- Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
- Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
- Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
- O Cristo Cigano (1961) – Sophia de Mello Breyner Andresen
- As meninas (1973) – Lygia Fagundes Telles
- Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
- Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
- A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida
Leituras obrigatórias Fuvest 2027
- Opúsculo humanitário (1853) – Nísia Floresta
- Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
- Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
- Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
- A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
- Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
- Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
- Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
- A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida
Leituras obrigatórias Fuvest 2028
- Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
- Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
- Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
- João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
- A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
- Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
- Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
- Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
- A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida
Leituras obrigatórias Fuvest 2029
- Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
- Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
- Dom Casmurro (1899) – Machado de Assis
- João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
- Nós matamos o cão tinhoso! (1964) – Luís Bernardo Honwana
- Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
- Incidente em Antares (1970) – Erico Verissimo
- Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
- A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira
Foto do post: Divulgação/Jovem Repórter na Flip/Flickr





