Vestibular UERJ: análise do conto de Guimarães Rosa

- 1º Exame de Qualificação: Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa (Contos “A terceira margem do rio” e “O espelho”);
- 2º Exame de Qualificação: A hora da estrela, de Clarice Lispector;
- Exame Discursivo (Prova de Língua Portuguesa Instrumental): Dom Casmurro, de Machado de Assis;
- Exame Discursivo (Prova específica de Língua Portuguesa e Literaturas): Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, e Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago;
Então, a gente aqui do QG resolveu dar aquela ajudinha para encara essa novidade e trouxemos uma análise do conto "A terceira margem do rio", do Guimarães Rosa.VESTIBULAR UERJ: Análise da Obra de Guimarães Rosa.
A terceira margem do rio, da obra Primeiras estórias, é o mais famoso e o mais aberto conto de Guimarães Rosa. Este conto é narrado na primeira pessoa, o que permite uma maior proximidade com os personagens.
Tempo: o tempo cronológico corresponde a toda a vida do narrador. As impressões e o amadurecimento do narrador são trabalhados com intensidade dando enfoque ao tempo psicológico.Espaço: há a presença concreta do rio, caracterizando a imagem rural de sempre. Esse cenário transmite a ideia de magia e transcendentalismo, no ir e vir do rio e da vida. Poético, né?
Personagens: os personagens são: filho (narrador-personagem), pai, mãe, irmã, irmão, tio (irmão da mãe), mestre, Padre, dois soldados e jornalistas. Os personagens, sem nome, podem ser caracterizados como tipos sociais. Por exemplo, a mãe é a responsável pelo comando prático da família.
Recursos de estilo:
- A história segue o estilo típico de Guimarães Rosa. A oralidade é reproduzida na voz do narrador:
"Do que eu mesmo em alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos (...) Só quieto. Nossa mãe era quem ralhava no diário com a gente."
- As frases independentes, coordenadas e curtas asseguram um ritmo lento e pausado à leitura.
- A sintaxe é recriada de forma criativa e pode até causar estranheza durante a leitura:"não fez a alguma recomendação", "nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele."
- A repetição também é também está presente na obra: e o rio-rio-rio, o rio sempre fazendo perpétuo.
- Neologismos também formam um recurso expressivo comum ao autor: como "trouxa", no sentido de comida e roupas e outras palavras pouco comuns: encalcou, entestou etc. - Figuras de linguagem tornam o lado poético do conto mais marcante como ilustra a gradação: "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!", a antítese "perto e longe de sua família dele", além do que o próprio caráter metafórico do rio.Resumo do conto A terceira margem do rio.
O conto A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, narra a história de um homem que desde o início aderiu ao silêncio. Se afastou de toda e qualquer convivência com a família, preferindo a completa solidão do rio.
Questão de Vestibular
1. (UFRN-RN) O fragmento textual que segue, retirado da narrativa A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, servirá de base para esta questão.
Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio — o rio — pondo perpétuo [grifo nosso]. Eu sofria já o começo da velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar o vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranquilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando ideia. ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976. No quadro do Modernismo literário no Brasil, a obra de Guimarães Rosa destaca-se pela inventividade da criação estética. a) recriação do mundo sertanejo pela linguagem, a partir da apropriação de recursos da oralidade. b) aproveitamento de elementos pitorescos da cultura regional que tematizam a visão de mundo simplista do homem sertanejo. c) resgate de histórias que procedem do universo popular, contadas de modo original, opondo realidade e fantasia. d) sondagem da natureza universal da existência humana, através de referência a aspectos da religiosidade popular. e) Todas as afirmativas são corretas.Gabarito: a.
