A correção da redação do Enem 2025 está no centro de um novo debate após uma reportagem exclusiva do g1 revelar que podem ter ocorrido diferenças na aplicação prática dos critérios de avaliação usados pelos corretores. A descoberta foi feita a partir de documentos internos, e-mails e depoimentos de avaliadores que participaram do processo.
Desde a divulgação das notas, estudantes relataram quedas inesperadas no desempenho da redação do Enem, inclusive candidatos que historicamente conseguiam notas acima de 900 pontos.
O que foi revelado sobre a correção da redação do Enem 2025?
Segundo o veículo, três mudanças operacionais teriam impactado a forma como os textos foram avaliados em 2025. Essas orientações não constavam de forma explícita na matriz pública de correção entregue aos candidatos.
Os materiais analisados pela reportagem indicam alterações na forma de avaliar:
- uso de conectivos e elementos coesivos
- proposta de intervenção
- repertório sociocultural
Corretores ouvidos sob sigilo afirmaram que as novas orientações tornaram a correção da redação do Enem 2025 mais subjetiva em alguns pontos.
Competência 4 pode ter tido avaliação mais subjetiva
De acordo com os documentos obtidos pelo g1, a competência 4 – que avalia o uso de mecanismos de coesão – deixou de ter contagem objetiva de conectivos e passou a permitir classificação qualitativa.
Em vez de critérios matemáticos de frequência, os avaliadores passaram a classificar o uso como “pontual”, “regular”, “constante” ou “expressivo”. Segundo relatos, isso ampliou a margem de interpretação individual do corretor.
Penalização maior na proposta de intervenção
Outro ponto destacado na apuração envolve a competência 5 da redação do Enem, que trata da proposta de intervenção.
A regra tradicional prevê cinco elementos obrigatórios:
- ação
- agente
- meio
- finalidade
- detalhamento
Em 2025, conforme o veículo de imprensa, uma orientação adicional determinou penalidade mais severa quando especificamente o item ação não estivesse claro – com desconto de até 120 pontos, superior ao padrão aplicado a outros elementos ausentes.
Corretores relataram que muitos estudantes acabaram sendo mais penalizados do que imaginavam por causa desse detalhe.
Repertório sociocultural passou a afetar mais de uma competência
A reportagem também aponta que repertórios socioculturais considerados inadequados ou genéricos passaram a gerar impacto em duas competências simultaneamente.
Na prática, repertórios mal contextualizados – chamados de “repertórios de bolso” – teriam deixado de afetar apenas uma dimensão da nota e passado a influenciar também a avaliação da argumentação.
Segundo avaliadores ouvidos pelo g1, esse foi um dos principais fatores para a queda na nota da redação do Enem 2025.
Inep nega mudança nos critérios da redação do Enem
Procurado pela reportagem do g1, o Inep afirmou que não houve alteração nos critérios de correção da redação do Enem. O órgão declarou que o modelo segue com dupla correção independente e terceira avaliação em caso de divergência.
O instituto também informou que os mesmos parâmetros oficiais foram mantidos e que o processo garante isonomia entre candidatos.
Relatos de corretores apontam dificuldades operacionais
A apuração também trouxe relatos sobre condições de trabalho dos corretores, incluindo:
- remuneração média de cerca de R$ 3 por redação
- volume elevado de textos por dia
- ruídos de comunicação nos treinamentos
A banca Cebraspe, responsável pela aplicação, informou ao veículo que apenas o Inep pode comentar oficialmente sobre o Enem.
Com informações da reportagem exclusiva do g1
Foto do post: Divulgação/Angelo Miguel/MEC





