O analfabetismo é caracterizado pela ausência do pleno domínio do alfabeto e das habilidades básicas de leitura e escrita. Essa condição compromete a comunicação, reduz a autonomia dos indivíduos e gera impactos profundos nas esferas social, econômica e política da sociedade.
Mesmo com avanços nas últimas décadas, o analfabetismo ainda representa um desafio estrutural no Brasil e aparece com frequência como tema de redações do ENEM e vestibulares, exigindo do estudante uma análise crítica e contextualizada.
O cenário do analfabetismo no Brasil
Embora venha sendo gradualmente reduzido, o analfabetismo ainda representa um desafio no Brasil. Segundo dados da PNAD Contínua sobre Educação, do IBGE, divulgados em 2025, o país tinha 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever em 2024, o que corresponde a uma taxa de analfabetismo de 5,3%, o menor nível desde o início da série histórica em 2016. Apesar do avanço, os números revelam que o problema persiste, sobretudo entre grupos socialmente vulneráveis, evidenciando a lentidão no enfrentamento das desigualdades educacionais no país.
Analfabetismo e desigualdade social
Dados da PNAD Contínua sobre Educação (IBGE) mostram que o analfabetismo permanece diretamente relacionado às desigualdades social, econômica, racial e etária no Brasil. Em 2024, a taxa de analfabetismo foi significativamente maior entre pessoas com 60 anos ou mais, chegando a cerca de 14,9%, segundo o IBGE.
No recorte racial, pessoas pretas ou pardas apresentaram taxa de aproximadamente 6,9%, mais que o dobro da observada entre pessoas brancas (3,1%). Do ponto de vista regional, o Nordeste concentrou a maior parcela da população analfabeta do país, reunindo cerca de 55,6% do total nacional.
Esses dados oficiais do IBGE reforçam que o analfabetismo não é um fenômeno isolado, mas resultado de desigualdades históricas e falhas estruturais nas políticas públicas educacionais.
Principais fatores do analfabetismo
Embora a desigualdade seja o pano de fundo do problema, alguns fatores contribuem diretamente para sua manutenção:
Evasão escolar
A evasão ocorre não apenas pela desmotivação, mas também pela necessidade de inserção precoce no mercado de trabalho ou pela imposição de responsabilidades domésticas, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.
Preconceito
Pessoas que tentam retomar os estudos na fase adulta enfrentam dificuldades de aprendizagem somadas ao preconceito e ao constrangimento social, o que gera desmotivação e abandono.
Falta de infraestrutura
A precariedade no funcionamento das escolas, a escassez de recursos didáticos e, em alguns casos, a ausência de unidades escolares em determinadas regiões agravam o problema do analfabetismo.
Analfabetismo funcional
Além do analfabetismo absoluto, o Brasil enfrenta um problema ainda mais amplo: o analfabetismo funcional. De acordo com o IBGE, cerca de 70% da população brasileira apresenta dificuldades para interpretar e compreender textos, mesmo possuindo escolarização formal.
Essa realidade evidencia falhas na qualidade do ensino e compromete o exercício pleno da cidadania, dificultando o acesso a serviços básicos, informações e direitos sociais.
Repertório sociocultural para a redação
Em propostas de redação sobre analfabetismo no Brasil, o uso de repertório sociocultural é essencial para fortalecer a argumentação e demonstrar domínio do tema.
Central do Brasil (1998)
O filme retrata a realidade de pessoas analfabetas e semi alfabetizadas no país, evidenciando como a dificuldade de leitura e escrita limita o acesso a direitos básicos, serviços públicos e ao exercício pleno da cidadania.
O Aluno (2015)
A obra aborda os desafios enfrentados por indivíduos em processo de alfabetização, destacando o preconceito social, a exclusão educacional e as falhas estruturais do sistema de ensino.
Narradores de Javé (2003)
O longa-metragem evidencia a relação entre analfabetismo, memória coletiva e exclusão social ao mostrar uma comunidade marcada pela oralidade e pela ausência de registros escritos, reforçando como a falta de letramento pode impactar o reconhecimento social e histórico de um grupo.
Esses repertórios podem ser utilizados para contextualizar o tema, exemplificar a exclusão social causada pelo analfabetismo e fortalecer a argumentação ao longo do desenvolvimento da redação
Dica final
O analfabetismo no Brasil é um problema estrutural, sustentado por desigualdades históricas e sociais. Sua erradicação exige investimentos contínuos em educação de qualidade, políticas públicas inclusivas e o combate às desigualdades regionais e sociais. Para o estudante, compreender esse cenário é fundamental para desenvolver uma redação crítica, atual e bem fundamentada no ENEM.
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