O TikTok vai superar o Google como mecanismo de busca? Entenda

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Se você está a fim de conhecer um lugar legal para jantar na sua cidade, quer buscar uma indicação de leitura com base no seu gosto, ou até mesmo precisa descobrir uma forma eficiente de tirar uma mancha do sofá, onde você pesquisa sobre esses assuntos? Provavelmente, a sua primeira opção deve ser o TikTok, certo?

Engana-se quem pensa que os vídeos de “dancinhas” são os principais carros-chefes da rede social, que soma mais de 1 bilhão de usuários ativos por mês, segundo dados da ByteDance, empresa chinesa dona do aplicativo. Nos últimos anos, o TikTok representa um terreno fértil para a criação de conteúdo em vídeo sobre os mais diversos assuntos, passando por entretenimento, culinária, cultura, educação, carreiras e jornalismo, por exemplo. 

A partir dessa grande oferta de vídeos e da alta demanda dos usuários – além da precisão do algoritmo –, quem utiliza a rede social com certa frequência já se acostumou a fazer buscas na aba de pesquisa, ou passando pela própria tela inicial, que prioriza conteúdos relacionados ao que o usuário assiste.

TikTok como mecanismo de busca: novo Google?

O potencial do TikTok como mecanismo de busca – sobretudo quando usado pelos usuários mais jovens – já foi reconhecido por uma empresa gigante do ramo. “Segundo nossas pesquisas, quase 40% dos jovens não recorrem ao Google Maps ou à nossa página inicial quando querem achar um lugar para almoçar. Eles utilizam o TikTok ou o Instagram”, afirmou em julho de 2022 o vice-presidente sênior da organização Google Knowledge and Information, Prabhakar Raghavan.

O estudo interno foi feito nos Estados Unidos, com usuários de 18 a 24 anos. Na época, o executivo também revelou que o Google pretende investir com mais peso em uma experiência de busca que fornece mais imagens, buscando atender às demandas da Geração Z.

Conteúdos feitos com imagens

Conforme pontuado pelo executivo do Google, atualmente, o TikTok tende a ser um buscador utilizado sobretudo em contextos que são melhor assimilados por meio de imagens do que um texto. Como por exemplo, a experiência que alguém teve em um restaurante, a avaliação de uma pessoa sobre um produto, ou também um tutorial onde alguém ensina como fazer ou consertar algo. 

Em contrapartida, pode haver um contra-argumento em relação ao potencial do TikTok como um buscador: também é possível procurar e encontrar resultados satisfatórios em sites como Google, YouTube, e até mesmo no Instagram. Então, porque o TikTok se tornou o “queridinho” de tanta gente?

Diferenciais do TikTok em relação ao Google

De acordo com a experiência de parte dos usuários, as outras plataformas não entregam um conteúdo tão personalizado, próximo, e de maneira tão rápida e eficiente, como o TikTok. Na rede, o apelo visual, a linguagem utilizada e a brevidade do conteúdo, com potencial de deixá-lo mais eficiente, se mostram mais efetivos e amigáveis para a experiência do usuário, aproximando-o do criador do vídeo.

Entre os jovens de hoje, é comum preferir um conteúdo do TikTok que fala sua língua, vai “direto ao ponto” sem enrolação e está inserido em sua rotina frequente de “rolar vídeos”, em contrapartida a um texto extenso em um site especializado, por exemplo.

Cerca de 74% da Geração Z utiliza a funcionalidade de pesquisa do TikTok, sendo que 51% preferem a rede social em vez do Google como mecanismo de busca. Entre os principais motivos para o favoritismo, estão o formato de vídeo dos resultados (69%) e as respostas mais relacionáveis ao conteúdo pesquisado (65%). 

Influência no consumo

Na esfera comercial, muitos jovens também recorrem à plataforma fundada em 2016. Cerca de 72% dos entrevistados compraram um produto depois de encontrá-lo por lá, e 61% dizem confiar mais nas recomendações de “TikTokers” do que de família ou amigos. Os dados são de uma pesquisa de 2022 feita pela Her Campus Media, empresa norte-americana de marketing com foco na Geração Z. 

Mesmo que o estudo tenha sido feito nos Estados Unidos, também é possível perceber tendências parecidas no Brasil. Afinal, somos um dos países com mais usuários do TikTok em todo o mundo – são mais de 80 milhões de usuários com mais de 18 anos, segundo dados levantados em 2023 pela consultoria alemã Statista.

O contingente é ainda maior se considerarmos os usuários menores de 18 anos. Segundo a pesquisa TIC Domicílios divulgada em 2022, cerca de 58% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos no país estão na rede social. Para se ter uma ideia, o índice já é próximo ao do Instagram (62%), app criado em 2010, seis anos antes do TikTok.

Principais cuidados

Contudo, também existe uma sutil “armadilha” com a qual precisamos tomar cuidado. Diante de tantos conteúdos que, à primeira vista, podem parecer feitos sob medida para nossos gostos e opiniões, corremos o risco de absorvê-los sem pensar duas vezes.

‘Publis’

Vamos pegar uma situação que deve se repetir quando você está navegando pela sua página inicial do TikTok: o autor do vídeo está falando apenas os pontos positivos de certo lugar ou produto, como se fossem “mil maravilhas”? Lembre-se: o influenciador pode ter sido pago para produzir esse conteúdo.

Atente-se a termos como “parceria paga”, às próprias hashtags #publi, #publicidade, #anúncio e afins na descrição do post. Mesmo que à primeira vista, não pareça um conteúdo patrocinado, é sempre bom pesquisar sobre o assunto em mais fontes.

Fake news

De maneira semelhante às outras redes sociais, é evidente que o TikTok também não está imune à propagação de notícias falsas, as chamadas “fake news”. 

O tema foi detalhado em uma pesquisa feita em setembro de 2022 pela NewsGuard, organização que investiga a confiabilidade de sites e informações. O estudo analisou 540 resultados do TikTok, com base nos 20 principais resultados de 27 pesquisas sobre diversos tópicos de notícias, como a Guerra na Ucrânia e a pandemia de Covid-19. Entre os 540 vídeos, o NewsGuard diagnosticou que 105 deles, aproximadamente 20%, continham afirmações falsas ou enganosas.

O estudo também verificou que, na época, ao digitar frases neutras sobre determinado assunto na aba de busca, a plataforma estava sugerindo pesquisas com termos relacionados a desinformação e conspirações. Por exemplo, quando um usuário escrevia o termo “mudança climática”, o TikTok sugeria frases como “mudança climática desmascarada” e “mudança climática não existe”. 

O que o TikTok está fazendo contra esses problemas?

Em setembro de 2022 – poucos dias após a divulgação da pesquisa da NewsGuard –, o TikTok afirmou ter atualizado suas diretrizes para combater a desinformação na plataforma. Entre as medidas, estavam “melhorias na detecção de imagens e áudios enganosos conhecidos” e “lançamento de um programa de detecção proativo com parceiros verificadores de fatos, para sinalizar novas e evolutivas reivindicações acompanhadas por meio da internet”.

Mais recentemente, em outubro de 2023, em meio aos desdobramentos do conflito entre Israel e Palestina, a União Europeia chegou a exigir ações concretas da empresa: Thierry Breton, chefe da indústria da UE, deu um ultimato para o TikTok apresentar o que estava sendo feito contra a disseminação de notícias falsas sobre o conflito. 

Em resposta, a empresa comunicou a implantação de diversas medidas de moderação de conteúdo, sobretudo relacionados a violência gráfica e/ou propagação de dados enganosos. O TikTok também afirma ter removido mais de 50 milhões de contas falsas, além de quase 933 mil comentários de bots postados em conteúdo marcado com hashtags relacionadas ao conflito.

Dica final

Mas para além de ações tomadas pelas redes sociais, é importante que o próprio usuário também desenvolva um certo filtro para analisar os conteúdos de maneira crítica constantemente. Assim, é crucial ter o hábito de pesquisar em diversas fontes confiáveis, no intuito de fazer uma checagem e garantir que está recebendo a informação correta – tanto no TikTok, quanto em outros ambientes. 

Bom, se essa rede social será mesmo um “novo Google” num futuro próximo, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: já podemos fazer a nossa parte para tornar a experiência no TikTok mais benéfica para nós mesmos – e para a sociedade como um todo.

Foto do post: Reprodução/pikisuperstar/Freepik

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