Em meio à investigação da PF, Inep descarta risco de fraude no Enem 2025; entenda

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O presidente do Inep, Manuel Palácios, afirmou em entrevista ao Fantástico no domingo, 23 de novembro de 2025, que “não há qualquer risco técnico” de fraude no Enem 2025, apesar da investigação aberta pela Polícia Federal envolvendo a divulgação antecipada de questões aplicadas em pré-testes do exame. Segundo ele, a situação “não prejudicou os candidatos”.

A declaração ocorre após o estudante de medicina Edcley Teixeira divulgar, em redes sociais, itens semelhantes aos aplicados na prova deste ano. O Inep confirmou que acionou a Polícia Federal e classificou o caso como parte de um possível “esforço concertado para prejudicar o Enem”, segundo Palácios.

Além disso, na manhã de domingo, agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do universitário, recolhendo celulares, computadores e documentos para a investigação.

Fraude do Enem é descartada

Apesar da repercussão, Palácios enfatizou que não há possibilidade de que algum candidato tenha sido beneficiado. Segundo ele, ainda que um estudante memorizasse itens de pré-testes, isso não comprometeria o sigilo do exame:

Não há a menor chance de que um item memorizado por um estudante afete a segurança do Enem. Não há risco técnico algum nesse episódio”, declarou o presidente do Inep ao Fantástico.

O ministro da Educação, Camilo Santana, também se pronunciou em entrevista à reportagem, garantindo que o exame está mantido e que os resultados serão divulgados conforme previsto: “O Enem continua, os dois gabaritos já foram divulgados e o resultado final sairá em janeiro de 2026. O Enem é um patrimônio do Brasil”.

Especialistas apontam fragilidades no Banco Nacional de Itens

Para especialistas consultados pelo Fantástico, parte do problema está no Banco Nacional de Itens (BNI) – conjunto de questões calibradas que abastece o Enem e outras avaliações nacionais. O banco de questões é criticado por alguns especialistas por não ter volume suficiente de itens.

Maria Helena Castro, ex-presidente do Inep, afirmou: “Seria muito mais simples se o Enem tivesse um banco robusto, com 100 mil itens. Assim, não seria necessário fazer pré-testes anuais, e a chance de repetição seria mínima.”

Manuel Palácios reforçou que mudanças no exame precisam ser “introduzidas com cautela” e que o Inep trabalha para modernizar práticas e tecnologias de avaliação.

O que diz o estudante investigado

Em entrevista exclusiva ao Fantástico, Edcley Teixeira negou ter intenção de fraudar o Enem e afirmou que as semelhanças entre as questões eram “coincidências”. Ele declarou ter participado do Prêmio Capes Talento Universitário, em 2024, e identificado padrões que considerou semelhantes aos do exame:

“Eu desconfiei que pudesse ser um tipo de pré-teste”, disse o estudante.

A jornalista Luiza Tenente apurou que Edcley pagava candidatos para memorizar perguntas da prova do prêmio, repassando até R$ 10 por item. Nas mensagens, ele solicitava detalhes de até dez questões.

Edcley alegou não considerar a prática como irregular, afirmando que não havia termo de sigilo ou edital indicando restrição. O Inep confirmou que o concurso da Capes funciona como laboratório para validar itens que podem ser usados no Enem.

PF cumpre mandado de busca e apreensão

Em nota oficial, a Polícia Federal informou ter deflagrado a Operação Profeta para investigar a possível prática de fraude em certame público, após o Inep identificar a divulgação de vídeo com questões “substancialmente similares” às aplicadas no Enem 2025.

A PF reforçou que a apuração busca identificar responsáveis e eventuais conexões com outros delitos, reafirmando seu compromisso com a integridade dos processos seletivos nacionais. Confira a nota na íntegra:

“A Polícia Federal deflagrou, neste domingo (23/11), a Operação Profeta, com o cumprimento de mandado de busca e apreensão no Ceará, expedido pela Justiça Federal, para apurar possível prática do crime de fraude em certame de interesse público. A ação teve como foco a suposta divulgação antecipada de conteúdo do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM 2025.

A investigação teve início após o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, vinculado ao Ministério da Educação, detectar a publicação de vídeo em plataforma digital contendo questões com similaridade substancial àquelas aplicadas na prova oficial. O conteúdo foi divulgado antes da data prevista para o exame.

A atuação da Polícia Federal visa esclarecer os fatos, apurar possíveis ilícitos, identificar os responsáveis pela obtenção dos dados e divulgação indevida, bem como possíveis conexões com outros delitos.

A Polícia Federal reafirma seu compromisso com a integridade dos concursos públicos e com o combate a fraudes que comprometam a confiança da sociedade nos processos seletivos nacionais”.

Foto do post: Divulgação/Polícia Federal

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