O Espelho: Leia o resumo do conto de Guimarães Rosa

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Você já leu o conto “O Espelho”, de Guimarães Rosa? Nos últimos anos, a obra já apareceu em alguns vestibulares, como UERJ, PUC-RS e UDESC. Entre os contos mais instigantes de Guimarães Rosa, “O Espelho” se destaca por propor uma profunda reflexão sobre a identidade humana e a dualidade entre o “eu interior” e o “eu exterior”.

Publicado originalmente no livro “Primeiras Estórias” (1962), o texto convida o leitor a questionar quem realmente somos por trás das aparências e dos papéis sociais que desempenhamos. Com sua linguagem rica e simbólica, Rosa nos conduz a uma jornada filosófica que ultrapassa o simples ato de olhar-se no espelho é um convite à autodescoberta e à compreensão da essência humana. Continue lendo e confira a análise e o resumo do conto!

Análise do conto ‘O Espelho’, de Guimarães Rosa

No texto, o autor utiliza uma narrativa em primeira pessoa em contato direto com o leitor como um diálogo constante, em que este é chamado a adentrar no mundo paralelo, na viagem extraordinária a qual é chamado pelo viajante. A intenção é simplesmente narrar a experiência que questiona a lógica e o sentido de existir.

Tempo

O tom psicológico está presente no conto. Trata-se de uma narrativa que investiga a fundo a alma humana. O narrador conta a sua experiência de olhar para um espelho e, inicialmente, não se reconhecer, sentir repulsa da imagem que vê e, depois, só depois, perceber que se tratava de sua própria imagem. Depois dessa experiência, o narrador busca compreender-se. Trata-se de um constante questionamento e, ao questionar-se, o narrador propõe que o leitor também reflita e indague sobre si mesmo, visto que aos poucos vamos nos identificando com esse narrador.

No conto “O Espelho”, desde o início o narrador chama o leitor para participar:
Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induzira, alternadamente, séries de raciocínios e intuições” (ROSA, 1964, p. 77).

narrador avisa que não narrará uma aventura, uma narrativa simples, linear, fácil de ser compreendida. Trata-se de um relato de uma experiência que desencadeou uma série de reflexões sobre um determinado assunto.

Espaço

Por tratar-se de uma narrativa de tom psicológico, o narrador não se atém à descrição espacial. A reflexão é o mais importante nessa narrativa, logo se a preocupação com o espaço é praticamente nula.

Personagens

O narrador protagonista é o único personagem. Não há citação de nome e nem de origem. A única possível marca que indicaria (de forma nada precisa) a origem do personagem é esta: “Sou do interior, o senhor também, na nossa terra, diz-se que nunca se deve olhar em espelho às horas mortas da noite, estando-se sozinho” (ROSA, 1995, p.438).

Resumo do conto ‘O Espelho’

No início do conto são expostas as duvidosas faces que um espelho pode proporcionar, explicando o quão dúbio e infiel este pode ser e deixando claro o fato de que acreditar na imagem que se vê é de total ignorância de novas experiências – há espelhos que deformam, há aqueles que melhoram a imagem e aqueles que, raramente, parecem realmente mostrar o que está do outro lado.

Neste jogo de convencer o leitor de que a sua tese é correta, que os espelhos têm o poder de enganar, o autor diz que se deve duvidar dos olhos porque eles são a porta do engano. Os olhos viciam-se com os defeitos e os entendem como natural. A cada vez que se olham, os olhos acostumam-se mais com a imperfeição da imagem que veem. O eu-lírico usa o exemplo de Narciso, quando diz que Tirésias havia predito àquele que viveria apenas enquanto não visse a si mesmo.

Embora tudo pareça meio imaginativo, o eu-lírico é racional, mantém-se sempre aliado às ideias reais, “pisa o chão a pé e patas“. “Satisfazer-me com fantásticas não-explicações? — jamais. Que amedrontadora visão seria então aquela? Quem o Monstro?” Nessa frase, a visão amedrontadora seria a experiência inicial, quando estava em um banheiro público e viu uma imagem repulsiva, horrenda, em dois espelhos que faziam jogo entre si. E a reflexão era ele mesmo, uma imagem que assustava, o seu próprio protótipo de imagem.

Desde então, começou a intensa busca do “eu por trás de mim” nas imagens que se refletiam. A intenção do emissor era parar de olhar com afeto para o que via e começar a buscar um modelo subjetivo. Começou retirando marcas hereditárias, os efeitos de paixões, pressões psicológicas e gradativamente tudo o que pudesse dissimular a sua figura e esconder em máscaras o que pretendia encontrar.

Questões de vestibulares sobre o conto

Agora, confira duas questões de vestibulares sobre o conto:

UDESC 2011

Com relação ao conto O Espelho, de Guimarães Rosa, assinale a alternativa incorreta:

A) a partir da posição do narrador, no texto, infere-se que a superstição pode ser um ponto de partida para estudos.

B) Em “A alma do espelho – anote-a – esplêndida metáfora.” (linha 4), se os travessões forem substituídos por vírgulas, o sentido original da oração não sofre alteração e ela ainda continua dentro do padrão formal de escrita.

C) O autor procura atribuir ao espelho características enigmáticas, valendo-se da escolha semântica de vocábulos e de expressões.

D) Do período “serviam-se deles, como da bola de cristal, vislumbrando em seu campo esboços de futuros fatos, não será porque, através dos espelhos, parece que o tempo muda de direção e de velocidade?” (linhas 8, 9 e 10) pode-se inferir uma ligação à magia, aos mistérios representados pelo espelho.

E) Na oração “O espelho inspirava receio supersticioso aos primitivos” (linhas 1 e 2), a expressão destacada, sintaticamente, classifica-se como complemento nominal.

Gabarito: Letra E.

PUC-RS 2011

Leia o seguinte trecho do conto “O espelho”, do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa, e as afirmativas, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso)

Sim, são para se ter medo, os espelhos. 

Temi-os, desde menino, por instintiva suspeita. Também os animais negam-se a encará-los, salvo as críveis exceções. Sou do interior, o senhor também; na nossa terra, diz-se que nunca se deve olhar em espelho às horas mortas da noite, estando-se sozinho. Porque, neles, às vezes, em lugar de nossa imagem, assombra-nos alguma outra e medonha visão. Sou, porém, positivo, um racional, piso o chão a pés e patas. Satisfazer-se com fantásticas não explicações? – jamais. Que amedrontadora visão seria então aquela? Quem o Monstro? 

Sendo talvez meu medo a revivescência de impressões atávicas? O espelho inspirava receio supersticioso aos primitivos, aqueles povos com a ideia de que o reflexo de uma pessoa fosse a alma. 

(   ) O narrador demonstra conhecer crenças antigas a respeito do perigo de se mirar em um espelho. 

(   ) Segundo essas histórias populares, nem sempre os espelhos projetam a imagem de quem se mira, podendo refletir seres assombrosos. 

(   ) Por ser racional e realista, o narrador sente-se tranquilo em olhar-se no espelho, ciente de que não irá flagrar alguma visão medonha. 

(   ) De acordo com as crenças, há certas horas perigo sas para refletir-se no espelho, sobretudo quando se está só. 

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 

A) F – V – F – F

B) V – F – F – V

C) V – V – F – V

D) V – F – V – F

E) F – F – V – V

Gabarito: letra C.

Agora, que tal conhecer mais sobre os movimentos literários brasileiros da década de 1960?

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