Uma operação da Polícia Federal deflagrada em outubro de 2025 revelou um esquema de fraude em concursos públicos, envolvendo o Concurso Nacional Unificado (CNU) e diversas outras seleções. O caso expôs o uso de tecnologia avançada, corrupção e até participação de profissionais de saúde para burlar as provas.
Como funcionava o esquema de fraudes em concursos
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado atuava há mais de dez anos, com base em Patos, no Sertão da Paraíba. A quadrilha, tratada como uma “empresa familiar”, cobrava valores que podiam chegar a R$ 500 mil por vaga.
Entre as estratégias usadas para fraudar concursos, estavam pontos eletrônicos implantados, dublês, comunicação em tempo real durante a prova e venda de gabaritos.
Além de dinheiro, os criminosos aceitavam ouro, veículos e até procedimentos odontológicos como forma de pagamento.
Quais foram os concursos afetados?
As fraudes não se limitaram ao CNU 2024. A PF identificou indícios de manipulação em certames da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Polícia Civil e Militar, Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Banco do Brasil.
No caso do Concurso Nacional Unificado, o grupo teria usado os mesmos métodos de comunicação eletrônica e repasse de respostas, o que resultou em gabaritos idênticos entre quatro candidatos, mesmo em provas de tipos diferentes. Trata-se de uma coincidência estatisticamente impossível.
Operação Última Fase
A Operação Última Fase, deflagrada pela Polícia Federal, cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em Recife (PE) e Patos (PB). Três pessoas foram presas preventivamente, e dezenas estão sendo investigadas por participação direta ou indireta nas fraudes.
O juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da Justiça Federal da Paraíba, destacou que a quadrilha “contava com pessoas especializadas em diferentes matérias para garantir a aprovação dos contratantes”, estimando um custo médio de R$ 300 mil por vaga.
Como a PF identificou a fraude no CNU?
A principal prova técnica apresentada pela PF foi a análise dos gabaritos do CNU. O relatório apontou que as respostas idênticas entre os suspeitos tinham uma probabilidade de ocorrer por um acaso equivalente a ganhar a Mega-Sena quase 20 vezes seguidas.
As investigações também revelaram transações financeiras incompatíveis com a renda dos investigados, uso de laranjas e lavagem de dinheiro por meio da compra e venda fictícia de imóveis e veículos.
O impacto da fraude na credibilidade dos concursos
A descoberta do esquema levanta preocupações sobre a segurança dos concursos públicos no Brasil e reforça a necessidade de reforçar os mecanismos de fiscalização e tecnologia antifraude.
Embora até o momento não haja indícios de envolvimento das bancas organizadoras, o caso revela como redes criminosas se infiltram em processos seletivos com apoio de intermediários locais.
A fraude no CNU e em mais concursos serve como alerta para candidatos e instituições sobre a importância da transparência, ética e integridade nos concursos, pilares fundamentais para o acesso justo ao serviço público.
Foto ilustrativa do post: Divulgação/Tomaz Silva/Agência Brasil





