A figura de Jesus em cada religião está presente em diversas tradições ao redor do mundo, não se limitando ao cristianismo. Cada religião e até diferentes vertentes dentro de uma mesma fé podem atribuir a ele significados distintos.
Neste texto, reunimos algumas dessas interpretações para mostrar como Jesus é compreendido por diferentes crenças, tanto no Brasil quanto em outros países.
Como é a figura de Jesus em cada religião?
Embora não seja possível contemplar todas as religiões existentes, selecionamos as mais representativas para oferecer um panorama plural e respeitoso sobre o tema. Vamos lá?
Cristianismo
Em uma cultura ocidental que a maioria de nós estamos inseridos, a figura de Jesus normalmente vem acompanhada de “Cristo”. Assim sendo, Jesus Cristo para os cristãos é o filho de Deus, o criador de tudo e todos, porém segundo a teologia da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são os denominados “três em Um”. Ou seja, a representação de Deus se dá nessas três instâncias.
Islamismo
Há uma certa crença popular que o Islamismo, o Cristianismo e o Judaísmo sejam religiões parentais por terem um denominador comum que foi Abraão, porém para muitos, esse pensamento é um pouco desvirtuante.
No entanto, isso não anula o fato de Jesus também estar presente na crença islâmica, porém como mais um dos profetas de Alah (Deus maior e único), que por sua vez, teria profetizado a vinda de Maomé – o último profeta. É bom ressaltar também que para o Islamismo, só existe um Deus possível a ser louvado, Alah. Por isso, a figura dos profetas é de extrema importância, porém não suscetíveis a adorações em termos de idolatria.
Judaísmo
No Judaísmo, Jesus não é reconhecido como uma figura divina ou sagrada, mas sim como um judeu histórico que teve influência em seu tempo. Por essa razão, diferentemente do Cristianismo, ele não é objeto de culto ou veneração. Assim como no Islamismo, a tradição judaica rejeita a idolatria, ou seja, a adoração de figuras humanas, mantendo o foco exclusivo na adoração ao Deus único.
Budismo
No Budismo, Jesus não é uma figura central ou divina. Essa religião não se baseia na crença em um deus criador, mas sim no caminho para a iluminação pessoal e a superação do sofrimento por meio do autoconhecimento e da prática ética. Portanto, Jesus pode ser visto apenas como um mestre ou figura histórica, sem atribuição de divindade ou adoração dentro da tradição budista.
Religiões afro-brasileiras
As religiões afro-brasileiras são parte fundamental da riqueza espiritual e cultural do Brasil, com raízes profundas nas tradições trazidas por povos africanos durante o período da escravidão. Ao longo do tempo, esses saberes estabeleceram diferentes formas de diálogo com o catolicismo.
Umbanda
Na Umbanda, Jesus é geralmente associado a Oxalá, orixá da criação, da paz e da luz. Essa conexão surgiu como forma de resistência e adaptação diante da repressão às religiões de matriz africana. Com o tempo, a associação entre orixás e santos católicos se consolidou como uma característica marcante da Umbanda. Para muitos praticantes, Oxalá e Jesus representam a mesma energia espiritual, voltada à harmonia, à fé e à proteção.
Candomblé
No Candomblé, Oxalá também é um orixá central, ligado à criação e à ancestralidade. No entanto, a religião não adota o sincretismo como parte de sua base teológica. Apesar de, em certos contextos históricos, terem surgido associações com santos católicos, o Candomblé mantém rituais, mitos e fundamentos próprios, vindos das tradições africanas.
Agora que você entendeu as diferentes formas como a figura de Jesus é interpretada em cada religião, vale a pena se aprofundar em como essas crenças se cruzaram ao longo da nossa história. Confira nosso artigo sobre os sincretismos religiosos na história do Brasil e saiba como o encontro entre diferentes tradições ajudou a construir a riqueza cultural e espiritual do país.
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