Uma reflexão sobre a inteligência artificial na sociedade dos dados

Conceito de transformação digital de fundo de cérebro de tecnologia de inteligência artificial

Por trás deste texto que passa pelo seu olhar, existe uma máquina ou um ser humano? Como é possível distinguir o que é autoral e o que é artificial neste texto? É possível fazer um juízo moral sobre os equipamentos tecnológicos? Dentre todas as perguntas, esta provavelmente é a única resposta possível de ser respondida e, até agora, sabe-se que não é possível. As tecnologias em si não são boas nem más; essa pauta já deve ser superada a partir daqui.

Logo, como avaliar filosofica e sociologicamente as inteligências artificiais e todo o aparato tecnológico pertencente aos grandes conglomerados da área da tecnologia da informação? 

O uso da tecnologia ultrapassou o ambiente digital

É necessário buscar outras perguntas a fim de adentrar mais na lógica de uso das microtecnologias. A começar com a principal delas: por quem, para quê, e em detrimento de que essas ferramentas estão sendo utilizadas? Esses talvez sejam os principais problemas na atualidade, uma vez que o uso das tecnologias ultrapassou o ambiente digital e adentrou nos nossos corpos, alterando nossa composição física, mental e espiritual.

Quantas vezes nos vemos desesperados por não encontrar nossos celulares? Quantas vezes nos vemos ansiosos ao receber uma notificação completamente irrelevante? Quantas vezes deixamos de viver momentos prazerosos ou de realizar atividades importantes para que os nossos olhos estejam fixados na tela de rolagem infinita que as redes sociais nos proporcionam?

Nesse sentido, podemos ter a sensação que, ao utilizar as redes, temos a oportunidade de nos divertirmos e de nos distrairmos após um dia estressante de trabalho ou de estudos. Mas até que ponto isso é saudável? 

Informações a fácil alcance

Outro tópico importante é que temos tudo ao nosso alcance de forma gratuita. Afinal, o que seria melhor do que algo bom e barato?

No documentário “Privacidade Hackeada” (2019), do diretor Karim Amer, temos uma análise instigante sobre o cenário atual. Se nos oferecem nuvens com grandes capacidades de armazenamentos de dados, e-mails que facilitam nossas vidas e comunicação, um ambiente de socialização, ferramentas de busca extremamente eficientes e uma inteligência artificial que nos responde questões complexas em segundos sem nenhum custo, o produto se torna então: nossas vidas.

Os conceitos de tecnopolítica e dataficação

Na análise filosófica e sociológica atual, o campo de estudos que busca compreender essa lógica da transformação da vida do sujeito em um produto através de ferramentas tecnológicas é chamado de Tecnopolítica.

Esse campo do saber busca relatar como as grandes corporações neoliberais, como a Google, o Grupo Meta e a Microsoft, constroem o funcionamento da política mundial e do nosso próprio cotidiano a partir das tecnologias controladas por elas. 

Nessa prática, os dados se tornam o petróleo do século XXI e assumem o fardo de serem a mercadoria mais valiosa do mundo. Isso é possível a partir de um processo chamado de Dataficação, que ocorre quando todas as nossas ações sociais passam a ser quantificáveis, gerando a possibilidade de antecipação das ações individuais e construção de uma personalidade artificial do sujeito.

O mercado de dados

A partir desse processo surge o mercado de dados, onde nossas informações são transformadas em dinheiro e são vendidas livremente. A pergunta que não quer calar é o que está em jogo aqui, e a resposta é nada mais, nada menos que: nosso futuro.

Com o controle dos nossos dados, é possível controlar completamente nossas personalidades e, assim, perdemos a capacidade de conferir sentido para nossas próprias vidas.

Se é evidente que o que nos faz humanos é ter a capacidade de controlar o sentido que damos para a vida – algo que outros animais não possuem, por exemplo – o que resta de humanidade em um corpo controlado remotamente e hipnotizado por uma tela? Será mesmo que a nossa própria inteligência já não se tornou artificial?

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