Conheça Conceição Evaristo, autora de ‘Canção para ninar menino grande’, leitura obrigatória da Fuvest

conceição evaristo em uma biblioteca

Se você está se preparando para a Fuvest, já deve saber que as leituras obrigatórias representam partes cruciais da prova, e para além dos textos, conhecer os autores desses livros poderá te ajudar a entender melhor cada produção. Pensando nisso, para enriquecer os seus estudos, preparamos uma biografia de Conceição Evaristo, incluindo principais trabalhos e curiosidades. Ela escreveu a obra “Canção para ninar menino grande”, que está entre as leituras obrigatórias da Fuvest.

Ao final da leitura, confira também a lista completa dos livros selecionados pela USP, que serão cobrados nos vestibulares 2026 a 2029!

Conceição Evaristo: vida e obra

Conceição Evaristo é poeta, escritora, contista e romancista, sendo uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Nascida em 29 de dezembro de 1946, em Belo Horizonte, Minas Gerais, ela vem de uma família humilde e, desde cedo, precisou conciliar o trabalho como empregada doméstica com os estudos. Essa realidade moldou profundamente sua trajetória e influenciou a temática de suas obras.

Apesar das dificuldades, Conceição não abriu mão de sua educação. Mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 1970, onde cursou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Posteriormente, realizou seu mestrado em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense (UFF) e concluiu seu doutorado em 2010. Sua formação acadêmica é uma prova de sua determinação em superar os desafios impostos pela desigualdade social.

Conceição Evaristo é uma figura central no feminismo negro, sendo sua obra marcada pela luta contra o racismo, o machismo, a misoginia e outras formas de opressão. Suas narrativas trazem como protagonistas pessoas marginalizadas pela sociedade, dando visibilidade às vozes que frequentemente são silenciadas. Esse conceito, que ela própria define como “escrevivência”, une a escrita à experiência de vida, destacando que sua literatura é inseparável de sua trajetória pessoal.

Principais temas abordados em suas obras

Seu primeiro romance, Ponciá Vicêncio (2003), aborda temas como racismo, migração, ancestralidade e as consequências do abandono de suas raízes. A obra foi amplamente reconhecida e abriu caminho para outras publicações marcantes, como Becos da Memória (2006) e Olhos d’Água (2014), uma coletânea de contos que denuncia as injustiças sociais e ressalta a força e a resiliência da população negra.

Conceição também publicou Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2011), uma obra que retrata a complexidade das experiências femininas em um contexto de opressão. Sua literatura é traduzida para vários idiomas, ampliando o alcance de sua mensagem de resistência e conscientização.

Em 2018, Conceição Evaristo foi candidata à Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a primeira mulher negra a disputar uma cadeira na instituição. Apesar de não ter sido eleita, sua candidatura foi um marco histórico e reforçou a importância de maior diversidade e inclusão no meio literário brasileiro.

A obra de Conceição Evaristo transcende as barreiras literárias, servindo como instrumento de reflexão e transformação social. Sua história e sua escrita inspiram estudantes, militantes e escritores, mostrando que a educação e a cultura são ferramentas poderosas para enfrentar as desigualdades e construir um futuro mais justo.

Por que Conceição Evaristo é importante?

Conceição Evaristo é muito importante para a literatura e para a história do Brasil porque suas obras dão voz às pessoas negras, especialmente às mulheres, e valorizam a cultura afro-brasileira. Ela escreve sobre as experiências de quem foi marginalizado pela sociedade, mostrando um novo jeito de enxergar a nossa história.

Em seus livros, Conceição apresenta personagens negras como protagonistas, destacando suas dores, lutas e forças. Com isso, ela ajuda a quebrar velhos preconceitos e a repensar ideias que ainda ligam o Brasil à escravidão e à exclusão. Sua escrita é baseada em experiências reais e busca trazer reflexões profundas sobre a sociedade e as desigualdades que ainda existem.

A autora também destaca a importância de respeitar e valorizar a identidade negra e as memórias de seus antepassados. Suas histórias não só denunciam as injustiças sociais, mas também mostram a resistência e a força do povo negro. Ela fala sobre temas como racismo, desigualdade e machismo, assuntos que ainda são muito presentes no nosso dia a dia.

Conceição Evaristo nos ensina a olhar de forma diferente para o passado e para o presente, dando espaço para histórias e pessoas que antes eram ignoradas. Sua obra é um convite para refletir sobre o que podemos fazer para tornar o Brasil um lugar mais justo. Por isso, ela é uma grande inspiração para jovens, estudantes e leitores de todas as idades.

O que a escritora defende?

Conceição Evaristo defende a valorização da cultura negra, a literatura produzida por autores negros e a visibilidade das mulheres negras na sociedade e na história do Brasil. Em suas obras, ela busca combater o racismo, o machismo e as desigualdades sociais que marcam o cotidiano do povo negro no país. Sua escrita também promove a recuperação das memórias e experiências das populações negras, destacando sua força, resiliência e contribuições para a construção do Brasil.

Conceição acredita na necessidade de um olhar descolonizado, ou seja, uma forma de pensar e contar a história que não seja baseada apenas nas ideias de opressão e exclusão, mas que valorize os protagonistas negros e suas trajetórias. Por meio de suas obras, ela defende a igualdade de direitos e a necessidade de se ouvir as vozes que foram silenciadas por muitos anos. Sua escrita é um chamado para a reflexão e para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Qual é a obra mais famosa de Conceição Evaristo?

Se você já ouviu falar de Conceição Evaristo, provavelmente já sabe que ela é uma das maiores escritoras brasileiras da atualidade. Seu nome está fortemente ligado à luta por igualdade e à valorização da cultura negra no Brasil. Dentre suas obras, a mais conhecida é o romance “Ponciá Vicêncio”.

Publicado em 2003, “Ponciá Vicêncio” conta a história de uma jovem negra que deixa sua cidade natal em busca de uma vida melhor na cidade grande. Durante a narrativa, somos levados a refletir sobre temas como racismo, identidade, memórias familiares e as cicatrizes deixadas pela escravidão no Brasil. A personagem principal, Ponciá, enfrenta desafios profundos que mostram as dificuldades de encontrar o próprio lugar no mundo. A escrita de Conceição Evaristo é envolvente e cheia de emoção, fazendo com que o leitor se conecte com a história de forma única.

Outro aspecto marcante da autora é o conceito de “escrevivência”, que mistura escrita e experiência de vida. Conceição acredita que a literatura não é apenas uma forma de contar histórias, mas também uma maneira de dar voz às vivências de pessoas que muitas vezes são esquecidas pela história oficial.

Para estudantes do ensino médio, “Ponciá Vicêncio” é uma leitura importante, pois ajuda a compreender questões sociais e culturais que ainda impactam o Brasil. Além disso, a obra pode inspirar reflexões sobre o papel de cada um na construção de uma sociedade mais justa.

Se você ainda não leu nada de Conceição Evaristo, “Ponciá Vicêncio” é um ótimo começo. Vale a pena mergulhar nessa história e descobrir por que a autora é tão admirada no Brasil e no mundo!

Curiosidades sobre Conceição Evaristo

Aqui estão algumas curiosidades sobre Conceição Evaristo que podem inspirar você a conhecer mais sobre essa grande escritora brasileira:

  • Origem humilde: Conceição nasceu em uma família pobre, na favela do Pindura Saia, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Apesar das dificuldades financeiras, ela nunca desistiu dos estudos.
  • Primeiro livro aos 45 anos: Embora escrevesse desde jovem, Conceição publicou seu primeiro livro, “Ponciá Vicêncio”, apenas aos 45 anos de idade, mostrando que nunca é tarde para começar.
  • Conceito de “escrevivência”: Ela criou o termo “escrevivência” para descrever sua literatura, que combina escrita e experiência de vida. Sua obra dá voz a histórias que muitas vezes são ignoradas pela sociedade.
  • Reconhecimento internacional: Conceição Evaristo é amplamente reconhecida fora do Brasil. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, incluindo inglês e francês.
  • Atuação acadêmica: Além de escritora, ela também é professora e possui mestrado em Literatura Brasileira pela PUC-Rio.
  • Prêmios e indicações: Conceição já recebeu diversos prêmios importantes, como o Jabuti, e foi candidata à Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2018, marcando um momento histórico.
  • Obras marcantes: Além de “Ponciá Vicêncio”, outras obras importantes da autora são “Olhos d’Água” e “Becos da Memória”. Essas obras exploram temas como racismo, desigualdade social e resistência.
  • Inspiração para jovens: Conceição é um exemplo de superação e dedicação. Sua história inspira jovens a acreditarem na força dos sonhos e no poder da educação.

Conceição Evaristo é mais do que uma escritora; ela é uma voz poderosa que transforma vidas com suas palavras. Se você ainda não conhece suas obras, que tal começar hoje mesmo?

Confira as leituras obrigatórias da Fuvest para os vestibulares de 2026 a 2029

Agora, saiba as leituras obrigatórias da Fuvest para as edições de 2026 a 2029, além dos autores de cada livro. Os títulos em negrito são referentes às obras inéditas em relação ao ano anterior do vestibular:

Leituras obrigatórias Fuvest 2026

Leituras obrigatórias Fuvest 2027

  • Opúsculo humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Leituras obrigatórias Fuvest 2028

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Júlia Lopes de Almeida
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Leituras obrigatórias Fuvest 2029

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Dom Casmurro (1899) – Machado de Assis
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) – Luís Bernardo Honwana
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Incidente em Antares (1970) – Erico Verissimo
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira

Foto do post: Fernando Frazão/Agência Brasil

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