Dia do Orgulho LGBTQIA+: Personalidades que fizeram história

Desde 1969, o dia 28 de junho tem um significado especial para a comunidade LGBTQIA+. É a data da Revolta de Stonewall, um marco na luta por direitos civis. Para quem vai fazer o Enem, o tema reúne vários conteúdos cobrados na prova, como movimentos sociais, cidadania, direitos humanos, variação linguística e debates sobre gênero. Também rende repertório para a redação.
Por que 28 de junho é o Dia do Orgulho?
Nos anos 1960, as relações entre pessoas do mesmo sexo eram criminalizadas na maior parte dos Estados Unidos. A polícia fazia batidas frequentes nos bares frequentados pela comunidade LGBT. Na madrugada de 28 de junho de 1969, invadiu o Stonewall Inn, em Nova York. Desta vez, os frequentadores resistiram.
A reação começou entre as pessoas mais marginalizadas da comunidade: mulheres trans, drag queens, lésbicas, jovens em situação de rua e pessoas negras e latinas. Os protestos duraram várias noites e ganharam o apoio de moradores do bairro. Um ano depois, em 28 de junho de 1970, aconteceram as primeiras marchas do orgulho, que deram origem às paradas atuais. Em 2016, o presidente Barack Obama declarou o Stonewall Inn monumento nacional.
No Enem: Stonewall faz parte do mesmo contexto da luta antirracista de Martin Luther King, do feminismo da segunda onda e da contracultura dos anos 1960. As questões costumam relacionar esses movimentos à ampliação da cidadania.
Personalidades LGBTQIA+ que fizeram história no mundo
- Leonardo da Vinci (1452-1519): pintor, inventor e cientista, autor da Mona Lisa. A maioria dos historiadores considera que ele se relacionava com homens. Em 1476, foi denunciado anonimamente por sodomia em Florença, mas a acusação foi arquivada. O caso mostra que a valorização do ser humano no Renascimento convivia com controles morais e religiosos, um contraste que costuma aparecer em questões sobre o período.
- Oscar Wilde (1854-1900): escritor irlandês, autor de O Retrato de Dorian Gray. Em 1895, foi condenado por "indecência grave" a dois anos de trabalhos forçados por causa do relacionamento com o jovem Lord Alfred Douglas. Morreu exilado e pobre em Paris. Sua história ilustra o moralismo da Era Vitoriana.
- Virginia Woolf (1882-1941): nome central do modernismo literário. Bissexual, viveu um romance com a escritora Vita Sackville-West, que inspirou o livro Orlando (1928). Em Um Teto Todo Seu, discutiu as condições que impediam as mulheres de escrever. O livro é um repertório clássico para redações sobre desigualdade de gênero.
- Margaret Mead (1901-1978): antropóloga americana. Bissexual, manteve um longo relacionamento com a antropóloga Ruth Benedict, sua antiga professora. Suas pesquisas em Samoa e Nova Guiné mostraram que os papéis de gênero variam entre culturas, uma base para a ideia de gênero como construção social.
- Alan Turing (1912-1954): matemático britânico gay, um dos pais da computação. Ajudou a decifrar os códigos da máquina Enigma, usada pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Em 1952, foi condenado por "indecência grave" por se relacionar com outro homem e submetido à castração química como alternativa à prisão. Recebeu perdão real póstumo em 2013. O Teste de Turing ainda é referência no debate sobre inteligência artificial.
- Marsha P. Johnson (1945-1992) e Sylvia Rivera (1951-2002): ativistas trans associadas à memória de Stonewall. Em 1970, fundaram a STAR, que acolhia jovens trans e LGBT em situação de rua em Nova York. A atuação das duas ajuda a entender o conceito de interseccionalidade, que analisa como raça, classe e gênero se combinam na exclusão.
- Harvey Milk (1930-1978): eleito em 1977 para o conselho municipal de São Francisco, foi um dos primeiros políticos assumidamente gays eleitos nos Estados Unidos. Foi assassinado em 1978 e virou símbolo da representatividade de minorias na política.
Personalidades LGBTQIA+ que fizeram história no Brasil
- Xica Manicongo (século XVI): africana escravizada levada para Salvador, considerada a primeira travesti registrada na história do Brasil. Em 1591, foi denunciada ao Tribunal do Santo Ofício por usar roupas femininas e recusar o nome masculino imposto. Sua história conecta temas de Brasil Colônia cobrados no Enem, como a escravidão e a atuação da Inquisição.
- Madame Satã (1900-1976): João Francisco dos Santos, homem negro e homossexual nascido em Pernambuco, tornou-se figura lendária da Lapa, no Rio de Janeiro. Capoeirista e artista transformista, foi preso diversas vezes. Sua trajetória ajuda a entender a malandragem carioca e a perseguição a pessoas negras, pobres e LGBT no início do século XX.
- Mário de Andrade (1893-1945): um dos líderes da Semana de Arte Moderna de 1922 e autor de Macunaíma, presença garantida nas questões de Literatura sobre Modernismo. Em 2015, a Fundação Casa de Rui Barbosa liberou uma carta de 1928, escrita por Mário a Manuel Bandeira, em que ele comenta a própria "tão falada homossexualidade". O documento ficou décadas sob restrição de acesso.
- Lota de Macedo Soares (1910-1967): urbanista autodidata e lésbica, coordenou a criação do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, inaugurado em 1965 com paisagismo de Roberto Burle Marx. Viveu por anos com a poeta americana Elizabeth Bishop. É um exemplo útil em temas sobre urbanização e espaços públicos.
- Cassandra Rios (1932-2002): escritora paulistana e lésbica, considerada a autora mais censurada da ditadura militar. Seus romances retratavam o desejo entre mulheres e foram proibidos pela censura do regime. É um bom exemplo para questões sobre censura e controle cultural no período.
- Herbert Daniel (1946-1992): homossexual, militou em organizações da luta armada contra a ditadura. Viveu no exílio ao lado do companheiro Cláudio Mesquita e voltou ao Brasil após a Lei da Anistia (1979). Diagnosticado com HIV, fundou em 1989 o Grupo Pela Vidda, uma das primeiras organizações de defesa das pessoas que viviam com o vírus. Sua trajetória liga dois conteúdos do Enem: a ditadura e a redemocratização, e a história da saúde pública.
- Ney Matogrosso (1941): cantor que fala abertamente sobre seus relacionamentos com homens, entre eles Cazuza. À frente dos Secos & Molhados, a partir de 1973, desafiou os padrões de masculinidade da ditadura com performances andróginas. Sua obra aparece em discussões sobre contracultura e resistência artística no regime militar.
- Luiz Mott (1946): antropólogo e historiador gay, fundou em 1980 o Grupo Gay da Bahia, a mais antiga organização LGBT em atividade no país. Também pesquisou a história de Xica Manicongo. Sua atuação faz parte da reorganização dos movimentos sociais durante a abertura política.
- Cazuza (1958-1990): cantor e compositor bissexual, autor de "Ideologia" e "Brasil", músicas que retratam a crise política do fim da ditadura. Foi uma das primeiras celebridades do país a falar publicamente sobre viver com HIV, em 1989, e ajudou a combater o estigma em torno da doença.
- Caio Fernando Abreu (1948-1996): escritor gaúcho e gay, autor de Morangos Mofados (1982). Retratou a geração que viveu a ditadura e, depois, a epidemia de aids, e abordou o amor entre homens em vários contos. Sua obra aparece em listas de leitura de vestibulares e em questões sobre a literatura brasileira contemporânea.
- João W. Nery (1950-2018): psicólogo e escritor, considerado o primeiro homem trans a passar por cirurgia de redesignação no Brasil, em 1977, em plena ditadura. Contou sua história em Viagem Solitária (2011). Seu nome batiza um projeto de lei sobre identidade de gênero.
- Marielle Franco (1979-2018): socióloga, cria da Maré e vereadora do Rio de Janeiro. Mulher negra e LGBT, era companheira da arquiteta Mônica Benício. Defendia os direitos das mulheres negras, da população LGBTQIA+ e dos moradores de favelas. Foi assassinada em 14 de março de 2018, e o caso se tornou símbolo da violência política no Brasil.
- Erika Hilton (1992): em 2022, foi eleita deputada federal por São Paulo. Ela e Duda Salabert (MG) foram as primeiras mulheres trans a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, e Erika foi a primeira mulher negra e trans no cargo.
Marcos dos direitos LGBTQIA+ no Brasil
- 1978: começa a circular o jornal Lampião da Esquina, publicação gay criada durante a ditadura que ajudou a organizar o movimento no país.
- 1980: é fundado o Grupo Gay da Bahia.
- 1990: em 17 de maio, a Organização Mundial da Saúde retira a homossexualidade da lista de doenças. A data se tornou o Dia Internacional contra a Homofobia.
- 1997: acontece a primeira Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.
- 2011: o STF reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo.
- 2013: a Resolução 175 do CNJ obriga os cartórios a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
- 2018: o STF permite que pessoas trans mudem nome e gênero no registro civil sem cirurgia nem laudo médico.
- 2019: o STF passa a enquadrar a homotransfobia como crime de racismo, com base na Lei 7.716/1989.
Como o tema cai no Enem
Linguagens
O Enem 2018 trouxe uma questão sobre o pajubá, linguagem criada por travestis e usada pela comunidade LGBT. A questão cobrava variação linguística: o candidato precisava reconhecer o pajubá como dialeto, com vocabulário próprio e função de identidade e proteção do grupo. Na Literatura, Mário de Andrade e Caio Fernando Abreu são autores frequentes em provas e listas de vestibular.
Ciências Humanas
O Enem 2015 citou a frase de Simone de Beauvoir "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher" para discutir gênero como construção social, a mesma linha de Margaret Mead. Os nomes brasileiros desta lista também ajudam a estudar três períodos da nossa história:
- a Inquisição no Brasil Colônia, com Xica Manicongo;
- a censura e a resistência cultural na ditadura, com Cassandra Rios, Ney Matogrosso e Herbert Daniel;
- a redemocratização, com o Lampião da Esquina e o Grupo Gay da Bahia.
Redação
Os direitos LGBTQIA+ ainda não foram tema direto da redação, mas rendem repertório para propostas próximas. Em 2021, o tema foi "Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil", e a decisão do STF de 2018 sobre nome e gênero no registro civil é um exemplo direto para ele. Em propostas sobre preconceito, violência ou inclusão, funcionam bem como repertório o princípio da igualdade (art. 5º da Constituição), o conceito de interseccionalidade, a decisão do STF de 2019 e o caso de Marielle Franco.
Dica de repertório
Para usar uma personalidade na redação, explique o que ela fez e conecte o exemplo ao problema discutido. Citar só o nome não conta como repertório legitimado.
Continue estudando no blog
Conhecer essas histórias amplia seu repertório e ajuda a entender como a luta por direitos moldou a sociedade em que vivemos. No Enem, esse conhecimento faz diferença tanto nas questões objetivas quanto na redação.
Para seguir revisando, explore outros conteúdos aqui no blog do enem.com.br. Na categoria História, você revisa os períodos citados neste texto, do Brasil Colônia à redemocratização. Em Redação Enem, encontra dicas para usar repertórios como estes do jeito certo. Em Atualidades, acompanha os temas que podem aparecer na próxima prova. E em Dicas de Estudo, encontra estratégias para organizar sua rotina de preparação.
Bons estudos e até o próximo post!
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